sexta-feira, dezembro 05, 2008

limão e mar

Confiando naquilo que, em The Blithdale Romance, Nathaniel Hawthorne conta de Charles Fourier, este acreditava que o inevitável progresso da humanidade rumo à perfeição faria com que um dia o mar passasse a saber a limão. O fascínio da imaginação utópica assenta em operações e em convicções desta natureza, que auguram um futuro de absolutos, programados e construídos à imagem dos desejos e da determinação de quem os projecta. O problema começa quando os fabricantes de utopias começam a pretender fixar as percentagens do açúcar, do ácido cítrico e do sódio, dando todo o poder ao laboratório que passará a gerir o fabrico, a manutenção e a partilha da água marítima. E, claro, condenando ao degredo o sabor a laranja.

"roubado" na terceira noite para dedicar à menina-limão


1 comentário:

menina limão disse...

obrigada :)

o Pedro Lago já me tinha enviado isso por e-mail, por acaso. muito curiosa a (suposta) convicção do senhor Fourier. claro que a aprovo totalmente.