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sábado, março 06, 2010

uma pedra na infância



Põe uma pedra
uma pedra sobre a infância

Para que de vez se cale essa respiração
contida suspensa no escuro

Põe, digo-te, uma pedra de silêncio sobre
essa infância essa fala ininterrupta essa

falagem que falha e promete e inventa
os sonhos e as promessas o riso sem porquê

Para que de vez se interrompa a esperança esse
mal que não desiste. Escreve, faz o que o ditado dita:

Enterra no silêncio da pedra essa intolerável coisa
que é a infância, as vozes da noite do poço.

Apaga a infância isso que falta sempre à chamada
e para sempre trocou já os desejos e os medos.

Já não vais a tempo, ela enredou sem remédio
as vidas os nomes a tua condenação. Mas vai.

Para que se cale de vez essa respiração que se ri
na cara da morte, nos olhos do enviado de deus

recita o que o ditado ditou: Põe uma pedra sobre
a infância e ouve a era a folhagem que cobrem

o céu em ruínas.

Também então havia uma pedra no canto do quarto
Ali onde a noite começava, era uma pedra e depois
crescia, petrificava-se no seu coração de pedra
dividia-se e eram várias crescendo; ocupando
todo o espaço do sono, do sonho do mundo.
Pesavam no teu peito procuravam-te os olhos
que de pedra ficavam e o grito era uma pedra
que na garganta subia contra a outra pedra.
O próprio ar golpeado era e dividia a voz
pedra contra pedra, o deserto a perder de vista.

Põe uma pedra sobre outra pedra. Inventa uma
outra infância de que possas recordar-te.

Obedeces ao poema e é sem espanto que vês:
nada acontece. Não há

nenhuma voz na voz dos condenados.



Manuel Gusmão
in Migrações do fogo





aqui


terça-feira, março 02, 2010

meia-noite todo o dia

Não voltarei a ser jovem


Que a vida é a sério
só mais tarde o começamos a entender
— como todos os jovens, eu vim
para levar a vida em frente.

Queria deixar marca
e sair entre aplausos
— envelhecer, morrer, eram somente
as dimensões do teatro.

Mas passou o tempo
e a desagradável verdade assoma:
envelhecer, morrer,
são o único argumento da peça.


Jaime Gil de Biedma



"roubado" ao manuel a. domingos

sábado, janeiro 02, 2010

infelizmente, o luís tem razão



Para modernizar a agenda eleitoral, Sócrates, o pior dos farsantes, prometeu o fim da discriminação heterosexual no casamento e convidou um intelectual para o espectáculo. Há sempre um intelectual pronto para morder o isco. Um intelectual ou um operário, no tempo em que havia classe operária. Dizia-se então que não tinham consciência de classe ou que a tinham em excesso, consoante o prisma. Os intelectuais aderiram. Era a sua janela de oportunidade. Como se o engenheiro do Fundão pudesse abrir janelas que não dessem para os pátios do costume: a esperteza, o negócio, a trapalhada, a conciliação sem princípios. Os gays prestaram-se à jogada do mestre beirão. Como as Isildas do costume e as sotainas de naftalina vieram a correr, houve almas distraídas que pensaram estar ali uma batalha ideológica, daquelas que une a esquerda, A Esquerda, esse guarda-chuva virtual que serve de abrigo a tanto malandro. Uma das revelações do ano foi ver a Unidade Simplex, com gente de bem a fazer a campanha do malandro e a perder a tramontana, como sucede nas acções prosélitas. Agora está tudo claro: os gays são iguais, mas diferentes. Para menos. Podem casar mas é-lhes vedada a adopção. Vão lá fazer as porcarias para longe das crianças. Fica assim consagrada a suspeição infamante de serem perigosos para o desenvolvimento da infância. É proibido votar outra coisa que não esta, decretou o chefe. Como se o esclarecimento se fizesse cedendo à ignorância e a justiça pactuasse com a discriminação. História triste. Uma lição para quem se mete com os capatazes da construção civil.

post d'a natureza do mal (bolds meus).

quarta-feira, dezembro 30, 2009

a família tradicional



A família tradicional foi destruída quando as mulheres começaram a desenvolver actividades profissionais fora do lar doce lar. Mais tarde foi abatida pela introdução e generalização dos métodos contraceptivos hodiernos e pela emancipação sexual das mulheres, essas porcas, novamente. Pela mesma altura, também foi morta pela televisão, que impôs um fim inglório aos serões de profunda comunhão que todas as famílias tradicionais partilhavam em torno da telefonia. Não consta que a telefonia tenha acabado com a família tradicional, mas não me espantaria que o tivesse tentado. Mas a tortura não acabou aqui: aproveitando-se da televisão, chegaram os videojogos, que mataram a família tradicional, depois de a brutalizarem durante várias horas, com requintes de sadismo e sem que ninguém lhe acudisse. E não tardou muito até que a internet, aproximando os distantes e desconhecidos às custas do afastamento dos próximos e conhecidos, exterminasse, também ela, a família tradicional.

Embora não haja provas definitivas, decorrem indagações que hão-de acabar por atribuir à descrimininalização do desmancho a responsabilidade por um novo assassinato da família tradicional. Da mesma família tradicional que se prepara agora para ser morta pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo, independentemente da sua orientação sexual. Independentemente da sua orientação sexual já podiam e amiúde o faziam, mas o papel passado é o que, aparentemente, o torna fatal para a família tradicional. E não tardará muito até que a eventual permissão da adopção, também ela de papel passado, de criancinhas indefesas por parte destes novíssimos e inauditos casais que se estão a preparar para matar a família tradicional, mate, mais uma vez, a família tradicional. Pode ser que um dia alguém se lembre de fazer o serviço recorrendo aos únicos meios de comprovada eficácia para tratar destes casos: uma carabina semi-automática, um jerricã de querosene e uma caixa de fósforos. Talvez que nesse dia nos vejamos, finalmente, livres daquilo.


Eduardo, no Àgrafo

domingo, dezembro 20, 2009

domingo, novembro 29, 2009

sábado, novembro 28, 2009

foi deus

Abrão, um tipo fixe por quem Deus tinha uma especial predilecção, casou com Sarai, que era sua meia irmã, uma união que foi abençoada por Deus.

Como Canaã era uma terra de muita fome, Abrão pegou na esposa e foi tentar a sua sorte (na altura chamava-se peregrinar)para o Egipto, onde começou a sua colossal fortuna. No Egipto reinava um faraó uma beca otário, que, por ser infiel, merecia no mínimo que se lhe fizessem a folha.

Então, lembrou-se Abrão de dizer à esposa:
- Tive uma ideia: tu, aos 75, és de uma beleza irresistível. Se o faraó sabe que és casada comigo mata-me! O que vais fazer é dizer ao faraó que és só minha irmã, atiras-te a ele, fazes-lhe aquele bobó (ainda hoje conhecido como bobó à faraó, o melhor de todos) e pedes-lhe em troca ovelhas, vacas, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos que dizes que é para o teu irmão.

E o faraó, que era gerontófilo, deixou-se enredar na história e, em troca de faraónicos bobós, assim enriqueceu Abrão.

O grande Abrão provou assim, neste mero episódio, ser incestuoso, proxeneta, oportunista, impostor, manipulador, mentiroso, desonesto e amoral. Abrão foi também o percursor de pelo menos três das mais importantes religiões da actualidade: o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo.




a não perder: esta e outras hilariantes interpretações dos cânones bíblicos, num blog perto de si.

quinta-feira, novembro 12, 2009

para sempre



se alguém disser que morreste, avançarei até à varanda do céu
escutarei a noite e recolherei o teu corpo da espuma dos planetas.
não deixarei que o teu rosto se dissolva nas minhas mãos,
insistirei no teu nome até que o mar ascenda à minha boca
e de luar em luar celebrarei o coração que fizeste meu, mudamente
porque o amor sobrevive às veias paradas do sangue.


adaptação de um poema de vasco gato, encontrado aqui


há um ano, por esta hora, estava a receber o pior telefonema da minha vida e inexplicavelmente soube-o assim que ouvi o toque do telemóvel. um ano, trezentos e sessenta e cinco dias. foi ontem. foi há uma eternidade.


o silêncio dos livros


é um blog que acompanho regularmente através do google reader e que consta dos meus links algures ali na coluna da direita. tem sempre imagens muito bonitas, todas elas relacionadas com a leitura. hoje não resisto a colocá-lo aqui em destaque, por me ter dado a conhecer as ilustrações de franco matticchio e jillian tamaki.



franco matticchio

jillian tamaki



se ainda não conhecem o blog do miguel, é favor seguirem o link imediatamente. garanto que não se vão arrepender.



segunda-feira, novembro 09, 2009

despair and demotivation






estas e outras maravilhas em www.despair.com

imperdível!

ah, e o blog do desespero - http://blog.despair.com/ - vai direitinho para os favoritos.

via
antónio quintas facebook

segunda-feira, outubro 26, 2009

umas verdades inconvenientes


a ciência é uma chatice. ao fim de mais de 10 anos de os factos não encaixarem na fantasiosa teoria do aquecimento global, alguém havia começar a dar por isso.

o telegraph publica hoje um artigo, com algumas verdades inconvenientes, cuja leitura aconselho vivamente:

the real climate change catastrophe

domingo, outubro 25, 2009

shorelines





joseph hoflehner

vale a pena conferir todos os porfolios

via salamandrine's facebook

domingo, outubro 18, 2009

terça-feira, julho 28, 2009

narciso





roubado ao anterozóide

quarta-feira, julho 08, 2009

ler os outros



este texto do joão gaspar é tão bom, que não (me) basta partilhá-lo no google reader e nos links da coluna ali em baixo à direita. aqui fica, portanto:


bebo cerveja com a espuma dos dias. procuro em vão o exílio. encontro apenas mais da mesma solidão. durmo há anos nos braços da solidão. velha amiga, companheira. das horas más e das ainda piores. a solidão aparece independentemente (ou talvez por causa) das pessoas. já fiz amor com a solidão no meio de multidões. a solidão é fácil. demasiado fácil. mas agora procuro um exílio que não encontro. o exílio é longe. demasiado longe. o exílio requer que os outros desapareçam. mas os outros estão sempre lá. demasiados outros. demasiado lá. e lá é demasiado perto de cá. procuro como quem foge sem saber onde acaba o mapa. procuro o exílio longe de tudo, procuro o exílio no quarto mais escuro da noite, procuro o exílio debaixo da cama (onde só encontro as pantufas e o cotão jaz empalhado, ao estilo das pradarias do velho oeste onde mandava o terrence hill). mas o exílio não aparece. ou vai-se tornando infrutífero com o passar das horas e das pessoas. e não cumpre a função para a qual havia sido destinado. dar abrigo, ser um ponto de fuga para a fotografia de um cadáver pouco adiado. regresso do exílio sem nunca lá ter estado. em mau estado, como sempre. sonhei com o exílio mas esqueci o sonho ainda antes de adormecer. quis ser um exilado a lado comigo próprio. ou mesmo comigo outro. quis ser um refugiado de guerra interior e só encontrei esta paz podre. um armistício assinado por analfabetos. estive vai não vai para lá ir. não fui. mas vou indo. de metáfora merdosa em metáfora merdosa até à sinédoque final. em que o todo pela parte se parte todo. todo fodido. dividido. resto zero. o tetrahidrocanabinol e o tom waits lá vão fazendo o que têm a fazer. o único exílio possível (provável) é a morte. o sartre, por pura teimosia, ainda acha que o inferno são os outros. não são. o inferno somos nós. então e os outros? puta que os pariu.


flautas paleolíticas





fabricadas em osso de abutre e em marfim, as flautas descobertas em hohe fels (na alemanha) por investigadores da universidade de tubingen, demonstram que música, nas sociedades humanas, desempenha um papel relevante desde há cerca de 35.000 anos.

aqui

(via peão)

naturalmente



«Two male penguins at a zoo in Bremerhaven, Germany -- who have been a pair for years -- have hatched and raised an abandoned chick as their own.» - Spiegel Online








terça-feira, julho 07, 2009

espalhem a notícia



persépolis 2.0



é um trabalho de dois autores de origem iraniana - Payman e Sina - baseado na obra de Marjane Satrapi. a BD pode ser vista aqui, sendo também possível o download em formato PDF.


visto no vórtex

sábado, julho 04, 2009

coisas realmente importantes





partilhado pelo mr. steed, no facebook

woodstock



radio woodstock, para ouvir online, no site da rtp

via maria henriques, no facebook


não perder a galeria de imagens da revista life