assim pousadas nos fios eléctricos, fazem-me lembrar pautas, claves de sol e notas de música salpicadas no céu. ainda andam por aí, apesar de este ano terem chegado cedo e os dias cálidos ameaçarem findar demasiado depressa. ao vê-las, trauteio mentalmente a canção andorinha negra do efémero agrupamento lua extravagante (vitorino, janita salomé, filipa pais):
Num belo dia, voltou outra vez
já me tardava a frescura em flor,
dos malmequeres dos Maios que perdi,
tímido cravo deixo leve odor...
Mesmo que tarde, sempre esperarei
da andorinha o cantar renovado
no meu beiral todo o ano guarde:
afectos para te ter ao meu lado
Lá pra Setembro, quando o sol mudar
dirás "Adeus porque me vou embora"
negras as asas, negro é abalar
guardam-se as mágoas, pela vida fora





