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domingo, agosto 01, 2010

Diz-se que o tempo não pára, que nada lhe detém a incessante caminhada, é por estas mesmas e sempre repetidas palavras que se vai dizendo, e contudo não falta por aí quem se impaciente com a lentidão, vinte e quatro horas para fazer um dia, imagine-se, e chegando ao fim dele descobre-se que não valeu a pena, no dia seguinte torna a ser assim, mais valia que saltássemos por cima das semanas inúteis para vivermos uma só hora plena, um fulgurante minuto, se pode o fulgor durar tanto.

José Saramago - O ano da morte de Ricardo Reis

quarta-feira, dezembro 16, 2009

sublinhados



A inveja é a religião dos medíocres. Reconforta-os, responde às inquietações que os roem por dentro e, em última análise, lhes apodrece a alma e lhes permite justificar a sua mesquinhez e cobiça a ponto de acreditarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão apenas aos infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outra marca que não seja a das suas mal-amanhadas tentativas de amesquinhar os outros e de excluir e, se possível for, destruir aqueles que, pelo simples facto de existirem e de serem quem são, põem em evidência a sua pobreza de espírito, mente e entranhas. Bem-aventurado aquele a quem os cretinos ladram, porque a sua alma nunca lhes pertencerá.


Carlos Ruiz Záfon in O Jogo do Anjo



quinta-feira, novembro 12, 2009

o silêncio dos livros


é um blog que acompanho regularmente através do google reader e que consta dos meus links algures ali na coluna da direita. tem sempre imagens muito bonitas, todas elas relacionadas com a leitura. hoje não resisto a colocá-lo aqui em destaque, por me ter dado a conhecer as ilustrações de franco matticchio e jillian tamaki.



franco matticchio

jillian tamaki



se ainda não conhecem o blog do miguel, é favor seguirem o link imediatamente. garanto que não se vão arrepender.



domingo, outubro 18, 2009

sinto-me tão fraquinha...



Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum...



astérix e obélix, heróis da minha infância, estão à beira dos 50 anos.

uderzo já revelou o título e a capa da edição especial do álbum que comemora os 50 anos das aventuras de astérix: 56 páginas com pranchas inéditas e textos nunca publicados de goscinny.





quarta-feira, setembro 02, 2009

current mood



brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça, o gesto flácido. debaixo de sombras irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer.


um deus passeando pela brisa da tarde - mário de carvalho

roubada à franksy, uma citação muito a propósito, de um livro altamente recomendável.

sábado, julho 04, 2009

lost in translation




A Luz em Agosto - William Faulkner - Colecção Novis Biblioteca Visão

detesto terminar um livro com a sensação que perdi grande parte das subtilezas da narrativa por culpa de uma tradução incompetente.


sexta-feira, junho 12, 2009

of mice and men





clube de leitura





sábado, abril 18, 2009

o vazio, o nada


Não há inferno nem paraíso, não há Deus, ninguém te observa, ninguém te vigia, ninguém quer castigar-te ou perdoar-te! Depois da morte cairás no fundo do nada, como no fundo do mar escuro, donde já não poderás emergir. Vais afogar-te no vazio silencioso, um vazio donde nunca mais se volta. O teu corpo vai apodrecer na terra fria, a terra vai encher o teu crânio e a tua boca como vasos de flores, a carne vai separar-se dos ossos, vai esborar-se como estrume seco, o teu esqueleto vai esmigalhar-se como carvão, vai desfazer-se em pó, entrarás nesse pântano repugnante onde o teu corpo se decomporá completamente, até ao último cabelo, e nem sequer tens o direito de esperar um regresso, vais desaparecer sozinha no lodo glacial e implacável do nada...


A casa do silêncio - Orhan Pamuk


sexta-feira, março 13, 2009

sublinhados


a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginámos silêncios, e súbitos regressos quando pensámos que não voltaríamos a encontrar-nos.

a viagem do elefante - josé saramago


segunda-feira, fevereiro 09, 2009

livro de cabeceira


Iñaki Echavarne, Bar Giardinetto, Rua Granada del Penedés, Barcelona, Julho de 1944. Durante um tempo a crítica acompanha a Obra, depois a crítica desvanece-se e são os Leitores quem a acompanha. A viagem pode ser longa ou curta. Depois os leitores morrem um por um e a Obra continua sozinha, se bem que a pouco e pouco outra Crítica e outros Leitores vão acompanhando a sua singradura. Depois a Crítica morre outra vez, e os Leitores morrem outra vez, e sobre essa esteira de ossos a Obra continua a sua viagem rumo à solidão. Aproximar-se dela, navegar no seu rasto, é sinal inequívoco de morte certa, mas outra Crítica e outros Leitores se lhe aproximam, incansáveis e implacáveis, e o tempo e a velocidade devoram-nos. Finalmente, a Obra viaja irremediavelmente sozinha na Imensidade. E um dia a Obra morre, como morrem todas as coisas, como se extinguirão o Sol e a Terra, o Sistema Solar e a Galáxia, e a mais recôndita memória dos homens. Tudo o que começa como comédia acaba como tragédia.

Os Detectives Selvagens - Roberto Bolaño


quarta-feira, fevereiro 04, 2009

domingo, fevereiro 01, 2009

frases de cortar a respiração

quando começaste a respirar, não foi ar que inspiraste, mas solidão.

in Morte na Pérsia, de Annemarie Schwarzenbach

o livro, vai direitinho para a minha wishlist

sábado, janeiro 24, 2009

heloísa (by sam)




quinta-feira, janeiro 22, 2009

mississipi in my mind

a este, alicinha, eu não resisti.




You're Adventures of Huckleberry Finn!

by Mark Twain

With an affinity for floating down the river, you see things in black
and white. The world is strange and new to you and the more you learn about it, the less
it makes sense. You probably speak with an accent and others have a hard time
understanding you and an even harder time taking you seriously. Nevertheless, your
adventurous spirit is admirable. You really like straw hats.



Take the Book Quiz
at the Blue Pyramid.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

a invenção do dia claro



+O LIVRO+


Entrei numa livraria. Puz-me a contar os livros que ha para
ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para
metade da livraria.

Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa,
senão estou perdido.

No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas
muito bem vestidas de quem precisa salvar-se.

* * * * *

Comprei um livro de filosofia. Filosofia é a sciencia que trata
da vida; era justamente do que eu necessitava--pôr sciencia na minha
vida.

Li o livro de filosofia, não ganhei nada, Mãe! não ganhei nada.

Disseram-me que era necessario estar já iniciado, ora eu só
tenho uma iniciação, é esta de ter sido posto neste mundo á imagem
e semelhança de Deus. Não basta?

* * * * *

Imaginava eu que havía tratados da vida das pessoas, como
ha tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim
parecidos com o tratamento que ha para os animaes domesticos,
não é? Como os cavalos tão bem feitos que ha!

Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como ha
hostias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma
hostia. Um livro pequenino, com duas paginas, como uma hostia.
Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com
a morada e o dia.

* * * * *

Não achas, Mãe? Por exemplo. Ha um cão vadio, sujo e com fome,
cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar
sujo e deixa de ter fome. Até as crianças já lhe fazem festas.

Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si--não saber
cuidar de si é ser cão.

Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me
ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono
de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele
soube cuidar de si!

* * * * *

Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se
diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma
arvore! quando ha uma arvore. Assim, inteiro, sem adjectivos,
só de uma peça: Um homem!

* * * * *

Mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar
e nenhuma era para copiar.

Como o livro, as pessoas tinham principio, meio e fim. A principio
o livro chamava-me, no meio o livro deu-me a mão, no fim fiquei
com a mão suada do livro de me ter estendido a mão.

Talvez que nos outros livros... mas os titulos dos livros são
como os nomes das pessoas--não quere dizer nada, é só para não
se confundir...

* * * * *

Na montra estava um livro chamado «O lial conselheiro». Escrito
antigamente por um Rei dos Portuguezes! Escrito de uma só
maneira para todas as especies de seus vassalos!

Bemdito homem que foi na verdade Rei! O Mestre que quere que eu
seja Mestre!

Eu acho que todos os livros deviam chamar-se assim: «O lial
conselheiro»! Não achas, Mãe?

O Mestre escreveu o que sabia--por isso ele foi Mestre. As palavras
tornaram presentes como o Mestre fazia atenção. Estas palavras
ficaram escritas por causa dos outros tambem. Os outros aprendiam
a ler para chegarem a Mestres--era com esta intenção que se
aprendia a ler antigamente.

* * * * *

Sonhei com um paíz onde todos chegavam a Mestres. Começava
cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha á
escuta do universo; em seguida, fabricava desde a materia prima o
papel onde ia assentando as confidencias que recebia directamente
do universo; depois, descia até ao fundo dos rochedos por causa da
tinta negra dos chócos; gravava letra por letra o tipo com que compunha
as suas palavras; e arrancava da arvore a prensa onde apertava
com segurança as descobertas para irem ter com os outros. Era
assim que neste país todos chegavam a Mestres. Era assim que
os Mestres iam escrevendo as frases que hão-de salvar a humanidade.

* * * * *

Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já
estavam todas escritas, só faltava uma coisa--salvar a humanidade.



José Almada Negreiros - Projecto Gutenberg - online reader - págs 2 / 3 / 4