segunda-feira, junho 23, 2008

cansaço

Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que me entranha na espécie de pensar,
È um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…

Não, cansaço não é…
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Com tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstracta
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar.
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como…
Isso mesmo, como…


Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.

(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...

3 comentários:

Anónimo disse...

www.ainvencaodapalavra.blogspot.com

começou a odisseia do blogue que aspira a ser o melhor e o maior em poesia nacional ou estrangira, mas toda na nossa língua mãe.

Vieira Calado disse...

Com tantos blogs... vá lá... acertei em Álvaro de Campos...

Anónimo disse...

álvaro de campos... simplismente único!