terça-feira, julho 17, 2007

Se partires, não me abraces

Se partires, não me abraces -a falésia que se encosta

uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre

e sonha com viagens na pele salgada das ondas.



Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão

das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;

mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,

porque o ar que respiras junto de mim é como um vento

a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -



o teu perfume preso á minha roupa é um lento veneno

nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz

senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta

as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto

espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.



Se me abraçares, não partas.

2 comentários:

maria m. disse...

muito bonito este poema!

alex disse...

eu também gosto muito.