quarta-feira, dezembro 30, 2009

a família tradicional



A família tradicional foi destruída quando as mulheres começaram a desenvolver actividades profissionais fora do lar doce lar. Mais tarde foi abatida pela introdução e generalização dos métodos contraceptivos hodiernos e pela emancipação sexual das mulheres, essas porcas, novamente. Pela mesma altura, também foi morta pela televisão, que impôs um fim inglório aos serões de profunda comunhão que todas as famílias tradicionais partilhavam em torno da telefonia. Não consta que a telefonia tenha acabado com a família tradicional, mas não me espantaria que o tivesse tentado. Mas a tortura não acabou aqui: aproveitando-se da televisão, chegaram os videojogos, que mataram a família tradicional, depois de a brutalizarem durante várias horas, com requintes de sadismo e sem que ninguém lhe acudisse. E não tardou muito até que a internet, aproximando os distantes e desconhecidos às custas do afastamento dos próximos e conhecidos, exterminasse, também ela, a família tradicional.

Embora não haja provas definitivas, decorrem indagações que hão-de acabar por atribuir à descrimininalização do desmancho a responsabilidade por um novo assassinato da família tradicional. Da mesma família tradicional que se prepara agora para ser morta pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo, independentemente da sua orientação sexual. Independentemente da sua orientação sexual já podiam e amiúde o faziam, mas o papel passado é o que, aparentemente, o torna fatal para a família tradicional. E não tardará muito até que a eventual permissão da adopção, também ela de papel passado, de criancinhas indefesas por parte destes novíssimos e inauditos casais que se estão a preparar para matar a família tradicional, mate, mais uma vez, a família tradicional. Pode ser que um dia alguém se lembre de fazer o serviço recorrendo aos únicos meios de comprovada eficácia para tratar destes casos: uma carabina semi-automática, um jerricã de querosene e uma caixa de fósforos. Talvez que nesse dia nos vejamos, finalmente, livres daquilo.


Eduardo, no Àgrafo

sexta-feira, dezembro 18, 2009

este é que deveria ser o tão propagandeado "superior interesse da criança"



nunca usei um título tão grande para um post com tão poucas palavras. aliás, as palavras que interessam, estão todas, bem resumidinhas, neste post d'a natureza do mal.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

sublinhados



A inveja é a religião dos medíocres. Reconforta-os, responde às inquietações que os roem por dentro e, em última análise, lhes apodrece a alma e lhes permite justificar a sua mesquinhez e cobiça a ponto de acreditarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão apenas aos infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outra marca que não seja a das suas mal-amanhadas tentativas de amesquinhar os outros e de excluir e, se possível for, destruir aqueles que, pelo simples facto de existirem e de serem quem são, põem em evidência a sua pobreza de espírito, mente e entranhas. Bem-aventurado aquele a quem os cretinos ladram, porque a sua alma nunca lhes pertencerá.


Carlos Ruiz Záfon in O Jogo do Anjo



domingo, novembro 29, 2009

sábado, novembro 28, 2009

foi deus

Abrão, um tipo fixe por quem Deus tinha uma especial predilecção, casou com Sarai, que era sua meia irmã, uma união que foi abençoada por Deus.

Como Canaã era uma terra de muita fome, Abrão pegou na esposa e foi tentar a sua sorte (na altura chamava-se peregrinar)para o Egipto, onde começou a sua colossal fortuna. No Egipto reinava um faraó uma beca otário, que, por ser infiel, merecia no mínimo que se lhe fizessem a folha.

Então, lembrou-se Abrão de dizer à esposa:
- Tive uma ideia: tu, aos 75, és de uma beleza irresistível. Se o faraó sabe que és casada comigo mata-me! O que vais fazer é dizer ao faraó que és só minha irmã, atiras-te a ele, fazes-lhe aquele bobó (ainda hoje conhecido como bobó à faraó, o melhor de todos) e pedes-lhe em troca ovelhas, vacas, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos que dizes que é para o teu irmão.

E o faraó, que era gerontófilo, deixou-se enredar na história e, em troca de faraónicos bobós, assim enriqueceu Abrão.

O grande Abrão provou assim, neste mero episódio, ser incestuoso, proxeneta, oportunista, impostor, manipulador, mentiroso, desonesto e amoral. Abrão foi também o percursor de pelo menos três das mais importantes religiões da actualidade: o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo.




a não perder: esta e outras hilariantes interpretações dos cânones bíblicos, num blog perto de si.

that's it





quinta-feira, novembro 12, 2009

para sempre



se alguém disser que morreste, avançarei até à varanda do céu
escutarei a noite e recolherei o teu corpo da espuma dos planetas.
não deixarei que o teu rosto se dissolva nas minhas mãos,
insistirei no teu nome até que o mar ascenda à minha boca
e de luar em luar celebrarei o coração que fizeste meu, mudamente
porque o amor sobrevive às veias paradas do sangue.


adaptação de um poema de vasco gato, encontrado aqui


há um ano, por esta hora, estava a receber o pior telefonema da minha vida e inexplicavelmente soube-o assim que ouvi o toque do telemóvel. um ano, trezentos e sessenta e cinco dias. foi ontem. foi há uma eternidade.


o silêncio dos livros


é um blog que acompanho regularmente através do google reader e que consta dos meus links algures ali na coluna da direita. tem sempre imagens muito bonitas, todas elas relacionadas com a leitura. hoje não resisto a colocá-lo aqui em destaque, por me ter dado a conhecer as ilustrações de franco matticchio e jillian tamaki.



franco matticchio

jillian tamaki



se ainda não conhecem o blog do miguel, é favor seguirem o link imediatamente. garanto que não se vão arrepender.



segunda-feira, novembro 09, 2009

despair and demotivation






estas e outras maravilhas em www.despair.com

imperdível!

ah, e o blog do desespero - http://blog.despair.com/ - vai direitinho para os favoritos.

via
antónio quintas facebook

domingo, novembro 01, 2009

current mood



à espera do comboio na paragem de autocarro *




* sérgio godinho


segunda-feira, outubro 26, 2009

umas verdades inconvenientes


a ciência é uma chatice. ao fim de mais de 10 anos de os factos não encaixarem na fantasiosa teoria do aquecimento global, alguém havia começar a dar por isso.

o telegraph publica hoje um artigo, com algumas verdades inconvenientes, cuja leitura aconselho vivamente:

the real climate change catastrophe

domingo, outubro 25, 2009

shorelines





joseph hoflehner

vale a pena conferir todos os porfolios

via salamandrine's facebook

domingo, outubro 18, 2009

sinto-me tão fraquinha...



Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum...



astérix e obélix, heróis da minha infância, estão à beira dos 50 anos.

uderzo já revelou o título e a capa da edição especial do álbum que comemora os 50 anos das aventuras de astérix: 56 páginas com pranchas inéditas e textos nunca publicados de goscinny.





no ouvido # 7





no ouvido # 6





hockney

sexta-feira, setembro 04, 2009

quarta-feira, setembro 02, 2009

trégua de verão

















current mood



brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça, o gesto flácido. debaixo de sombras irisadas, leio e releio os meus livros, passeio, rememoro, devaneio, pasmo, bocejo, dormito, deixo-me envelhecer.


um deus passeando pela brisa da tarde - mário de carvalho

roubada à franksy, uma citação muito a propósito, de um livro altamente recomendável.

quarta-feira, julho 29, 2009

post-it






hoje é dia de ligar a televisão. dexter, às 22h40, na rtp2

terça-feira, julho 28, 2009

narciso





roubado ao anterozóide

sexta-feira, julho 24, 2009

play it again, sam # 7





morphine - the night

wishful thinking





self-cleaning house

quinta-feira, julho 23, 2009

dedicatória





à humanidade menos muito poucos.

quarta-feira, julho 08, 2009

ler os outros



este texto do joão gaspar é tão bom, que não (me) basta partilhá-lo no google reader e nos links da coluna ali em baixo à direita. aqui fica, portanto:


bebo cerveja com a espuma dos dias. procuro em vão o exílio. encontro apenas mais da mesma solidão. durmo há anos nos braços da solidão. velha amiga, companheira. das horas más e das ainda piores. a solidão aparece independentemente (ou talvez por causa) das pessoas. já fiz amor com a solidão no meio de multidões. a solidão é fácil. demasiado fácil. mas agora procuro um exílio que não encontro. o exílio é longe. demasiado longe. o exílio requer que os outros desapareçam. mas os outros estão sempre lá. demasiados outros. demasiado lá. e lá é demasiado perto de cá. procuro como quem foge sem saber onde acaba o mapa. procuro o exílio longe de tudo, procuro o exílio no quarto mais escuro da noite, procuro o exílio debaixo da cama (onde só encontro as pantufas e o cotão jaz empalhado, ao estilo das pradarias do velho oeste onde mandava o terrence hill). mas o exílio não aparece. ou vai-se tornando infrutífero com o passar das horas e das pessoas. e não cumpre a função para a qual havia sido destinado. dar abrigo, ser um ponto de fuga para a fotografia de um cadáver pouco adiado. regresso do exílio sem nunca lá ter estado. em mau estado, como sempre. sonhei com o exílio mas esqueci o sonho ainda antes de adormecer. quis ser um exilado a lado comigo próprio. ou mesmo comigo outro. quis ser um refugiado de guerra interior e só encontrei esta paz podre. um armistício assinado por analfabetos. estive vai não vai para lá ir. não fui. mas vou indo. de metáfora merdosa em metáfora merdosa até à sinédoque final. em que o todo pela parte se parte todo. todo fodido. dividido. resto zero. o tetrahidrocanabinol e o tom waits lá vão fazendo o que têm a fazer. o único exílio possível (provável) é a morte. o sartre, por pura teimosia, ainda acha que o inferno são os outros. não são. o inferno somos nós. então e os outros? puta que os pariu.


flautas paleolíticas





fabricadas em osso de abutre e em marfim, as flautas descobertas em hohe fels (na alemanha) por investigadores da universidade de tubingen, demonstram que música, nas sociedades humanas, desempenha um papel relevante desde há cerca de 35.000 anos.

aqui

(via peão)

naturalmente



«Two male penguins at a zoo in Bremerhaven, Germany -- who have been a pair for years -- have hatched and raised an abandoned chick as their own.» - Spiegel Online








terça-feira, julho 07, 2009

espalhem a notícia



persépolis 2.0



é um trabalho de dois autores de origem iraniana - Payman e Sina - baseado na obra de Marjane Satrapi. a BD pode ser vista aqui, sendo também possível o download em formato PDF.


visto no vórtex

no ouvido # 5



and now, for something completely different...





pj harvey & john parish - black hearted love

no ouvido # 4





shadows - au revoir simone

no ouvido # 3





wilco & feist

no ouvido # 2






rodrigo leão e stuart staples

no ouvido





sábado, julho 04, 2009

coisas realmente importantes





partilhado pelo mr. steed, no facebook

woodstock



radio woodstock, para ouvir online, no site da rtp

via maria henriques, no facebook


não perder a galeria de imagens da revista life

lost in translation




A Luz em Agosto - William Faulkner - Colecção Novis Biblioteca Visão

detesto terminar um livro com a sensação que perdi grande parte das subtilezas da narrativa por culpa de uma tradução incompetente.


sexta-feira, junho 12, 2009

of mice and men





clube de leitura





sábado, junho 06, 2009

música para um dia cinzento





roubado à m.m.botelho

(via facebook)

quarta-feira, maio 13, 2009

the power of poetry





wishful thinking.

segunda-feira, maio 04, 2009

o último amigo



enquanto todos reagem à notícia da morte de vasco granja sublinhando o seu papel de agente cultural na divulgação de cartoons, desenho animado e banda desenhada em portugal, eu guardo dele uma recordação invulgar, pessoal e terna. mais do que o homem que animou a minha infância, entrando na minha casa pelo ecrã da tv, vasco granja acabou por ser aquele que encaro como o último amigo da minha mãe. foi em maio do ano passado que ambos se cruzaram numa instituição de saúde dedicada a cuidados geriátricos. desde o primeiro olhar que os vi trocar, tornou-se evidente a empatia mútua e durante todo o tempo que durou o internamento conjunto criaram um elo de ligação que me levava, quase invariavelmente, a encontrá-los juntos nas horas de visita. é por isso que, por mais que tente focar a memória e enquadrá-lo numa televisão a preto e branco, logo se sobrepõem outras recordações mais recentes, mais intensas, que se lhe sobrepõem e esbatem a imagem antiga. lembro-lhe o sorriso e o brilho dos olhos azuis, as tentativas de diálogo com a minha mãe, já incapaz de uma conversa inteligível, a delicadeza dos gestos cavalheirescos que tinha para com ela e que certamente a encantaram. ela, reservada, mas sempre vaidosa e coquette até ao fim dos seus dias, creio que chegava a flirtar um pouco com ele. esta situação, simultaneamente descarada e inocente, tão semelhante apesar de tão nos antípodas dos "namoros" das crianças pequenas, quase chegou ao ponto de fomentar algumas inquietações ao meu pai, não fosse eu - enternecida e divertida - deitar água na fervura do ciúme em que ele ardia.
ela tinha 80 anos quando nos deixou, em novembro. ele, segundo li na notícia, tinha 83. muitas vezes me perguntei o que seria feito dele. hoje soube. não falarei agora da perda cultural que foi para o país, embora me doa e enfureça a cretinice sem nome de a televisão pública ter destruído o arquivo histórico dos seus programas. mas não foi essa perda de que todos falam - e que também me é comum - que me fez saltar as lágrimas mal li o anúncio da sua morte. foi a recordação da minha mãe com a cabeça encostada no seu ombro. por ela, falei apenas do seu último amigo, do último homem que a fez sentir e agir como a mulher que sempre conheci.

à família do vasco, se calhar a ler-me, um abraço da filha da gisela.


sábado, abril 25, 2009

recordar abril


mais fotos, vídeos, entrevistas, comentários

no site do parlamento global (via twitter)

35 fotos de abril


seleccionadas por alfredo cunha, no site do jn (via twitter)

otelo


entrevista na rtpn a otelo, para ouvir aqui