quarta-feira, janeiro 14, 2009

palácio braamcamp

vi a notícia no dn. a cml - como já há muito se murmurava - vai alienar património. não vou começar por discutir se a decisão é lícita ou proveitosa, mas parte da informação que é veículada ao público, é incorrecta.
sobre os imóveis - palacetes destinados à venda para conversão em hotéis de charme - diz-se que estavam votados ao abandono e em processo de degradação. ora acontece que conheço muito bem um dos edifícios, o palácio braamcamp. nele funcionou, durante décadas, a caixa de previdência do pessoal da cml. nele trabalhou, durante cerca de 40 anos, a minha mãe. dele foram despejados, no ano passado, os funcionários que ainda lá trabalhavam, tranferidos para o novo edifício dos serviços sociais da cml, no areeiro.
há muito que planeava fazer este périplo por mais um local da geografia da minha memória. por coincidência, foi ontem também que me chegou às mãos o livro do dr. jorge trigo, sobre a história do palacete e dos seus ocupantes.
a propósito do suposto estado de degradação e abandono do palácio braamcamp, deixo-vos com algumas fotos do seu livro. para que os que aqui passarem, possam avaliar por si próprios da veracidade das afirmações que são passadas para a opinião pública, pelos nossos dirigentes políticos, através dos jornais.










por este palacete passaram pessoas que fizeram história, como d. joão da costa, um dos conjurados que prendeu a duquesa de mântua, d. catarina de bragança, raínha de inglaterra, os filhos ilegítimos de d. pedro II, o abade de livry, embaixador de frança. neste local se instalou o teatro do bairro alto e as concorridas óperas do séc. XVIII. atingido pelo terramoto de 1755, foi reconstruído por anselmo braamcamp para sua residência pessoal, com recurso às estruturas mestras que subsistiram. posteriormente albergou a escola francesa de lisboa e por fim a caixa de previdência do pessoal da cml. jorge trigo realça, no seu livro, que o palácio braamcamp constitui um vasto acervo de conhecimentos históricos e é uma referência importante da história de lisboa...nada disso parece importar perante a perspectiva de dinheiro fácil. se construíram um condomínio de luxo na antónio maria cardoso, se até na prisão de peniche almejam construír um hotel de charme, porque não o hão-de fazer em qualquer outro edifício histórico? isto da história, da cultura e da memória não passam de empecilhos que uns quantos intelectuais da treta querem colocar no glorioso caminho do progresso e da ambição das novas elites endinheiradas que sonham desfrutar de locais com charme, exclusivos e bem longe da populaça que não pode aceder a esses luxos e que se quer ignorante e mansa, desfolhando revistas inenarráveis e suspirando por existências telenovelescas.


neste palacete, do qual só recentemente aprendi o nome e a história mais antiga, vi, ao longo dos anos, inúmeras pessoas a serem atendidas com profissionalismo, respeito e dignidade, como raramente se deve encontrar numa repartição pública. gente vulgar, gente comum, com doenças, problemas sociais, reclamações e pedidos. ali fui atendida, até aos dezoito anos, pelos melhores médicos que tive em toda a minha vida. ali brinquei quando era pequena, descobrindo o fascínio de agrafadores, tinteiros, furadores, máquinas de escrever, o funcionamento do pbx, o selo branco dos serviços. ali entrava, envergonhada e de olhos no chão, antecipando o momento de puro horror em que tinha de me deslocar de secretária em secretária, para cumprimentar com um beijinho todas as gerações de funcionários que a minha mãe chefiou e ajudou a formar, tendo sempre em mente o carácter de serviço público que era imperioso prestar aos utentes. ou beneficiários, como sempre lhe ouvi chamar-lhes. outros tempos, outras terminologias. eram, de facto, beneficiários de uma pequena organização que existia para os servir.


lamento o destino anunciado do palácio braamcamp. desejaria vê-lo preservado como edifício de utilidade pública e de livre acesso. uma biblioteca, uma galeria de arte,um museu, qualquer coisa de útil. uma vez mais recorro às palavras de jorge trigo no seu desejo expresso em jeito de conclusão do seu livro (cuja leitura recomendo): seja qual for a opção da câmara municipal de lisboa, como proprietária do edifício, é fundamental que a finalidade se identifique com uma vertente cultural (...) deve-se criar condições para que todo o seu explendor de beleza e requinte possa ser apreciado. infelizmente assim não será. escrevo com raiva e tristeza esta crónica de trazer por casa. é a minha despedida e o meu pequeno contributo para que não vingue a mentira, para que não se apague mais uma memória.



nota - o palácio braamcamp situa-se em pleno coração do bairro alto, no páteo do tijolo, com ampla vista sobre lisboa e o tejo. no pátio, junto ao varandim do miradouro, existiam bancos de jardim e uma árvore, de flores (ou folhas modificadas?) vermelhas e carnudas, que adquire um aspecto fantástico durante o inverno. nas fotos que pesquisei -no arquivo municipal de lisboa - da envolvente do edifício, essa àrvore não está visível. gostaria muito de ter informação sobre de que tipo de espécime se trata e também de um registo de imagem da mesma. antecipadamente grata a quem me possa fazer chegar mais essa pecinha do puzzle.
agradeço ainda ao dr. jorge trigo a oferta do seu livro, a qual me permitiu dar suporte à minha memória.


retrato de um país cinzento

só hoje dei por esta entrevista a josé gil.


objectos com memória # 3



dei ontem corda ao velhinho roamer da minha mãe, fora de uso desde que ela deixou de conseguir ver as horas no minúsculo mostrador. está a funcionar na perfeição e - surpreendentemente - cabe no meu pulso.

after changes upon changes we are more or less the same




dedicado à scarlata

segunda-feira, janeiro 12, 2009

wishlist # 6

a propósito do post anterior:







lisboa (urban sketchers)

Um passeio por Lisboa, à boleia do traço de Eduardo Salavisa:




Belém


Belas-Artes e Praça do Comércio

Cais do Sodré

Cais das Colunas (saudoso) e Casa dos Bicos


Docas, Alfama, Largo do Rato

Chiado

Largo Camões


Marquês de Pombal, S. Carlos e Rossio


Parque das Nações, Poço do Bispo, Cemitério dos Prazeres


Pastelaria Versalhes, Adamastor, Esplanada junto ao Tejo

S. Pedro de Alcântara, Vista do Castelo e Príncipe Real


domingo, janeiro 11, 2009

mad dog

gelo



ao sol do meio dia, o que ainda resta da rodela de gelo que cobria a àgua no alguidar dos cães.

sábado, janeiro 10, 2009

quinta-feira, janeiro 08, 2009

em cadeia



podia ter sido eu a escrever isto, de tal forma descreve bem a minha condição de leitora e o reconhecimento de que o pouco que possa ter a dizer ao mundo, outros já o disseram melhor do que eu. por isso leio, compulsivamente, assinalando tudo o que me faça aprender, sorrir ou pensar. por isso, este blog não passa de um bloco de apontamentos, um moleskine virtual. para os seus (im)prováveis leitores, deixo um rasto, um link na coluna da direita, que mostra os últimos 20 posts partilhados através do google reader.



por vezes, há qualquer coisa que merece um destaque especial. é o caso deste assobio da margarete, uma nota introdutória com a qual me identifiquei, mas que serve sobretudo para chamar a atenção para um artigo do público que fala de coisas sérias e nos obriga a reflectir. vão lá e leiam. ponham-se no lugar daqueles a quem chamam vilões.


terça-feira, janeiro 06, 2009

life's unfair

segunda-feira, janeiro 05, 2009

objectos com memória # 2



isqueiro s.t. dupont
(oferecido ao meu pai, quando era fumador)

short people

um universo barato


Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

sábado, janeiro 03, 2009

grandes civilizações

(...)

o vinho é indissociável do nascimento da química. De facto, a produção de bebidas por fermentação natural de alguns produtos vegetais data dos primórdios da civilização, encontrando-se registos desta actividade há pelo menos 6000 anos.


Entre os sumérios a cerveja era tão apreciada que existia uma deusa da cerveja, Ninkasi, e o código de Hammurabi incluía uma série de disposições sobre a cerveja, nomeadamente prescrevia punições físicas para os taberneiros que a diluissem. Já os egipcios pareciam preferir o vinho sendo a cerveja - henket ou zythum - a bebida da povo e aparentemente dos sacerdotes de Ámon. De facto, Ramsés III passou a ser conhecido como o faraó-cervejeiro depois de agraciar os referidos sacerdotes com quasi meio milhão de ânforas do precioso líquido.

ler "o espírito do vinho" na íntegra, aqui.

play it again, sam # 6



as tears go by - marianne faithfull

press review

indecisão

hibernar até à primavera?



ou



não voltar a saír da cama?


sexta-feira, janeiro 02, 2009

música para os meus ouvidos



escolha musical do dia, a assinalar o meu regresso às actualizações do myspace.

(obrigada pela lembrança, limão)


objectos com memória # 1




artesanato de rosa ramalho
comprado pela minha mãe