Um passeio por Lisboa, à boleia do traço de Eduardo Salavisa:
segunda-feira, janeiro 12, 2009
sábado, janeiro 10, 2009
quinta-feira, janeiro 08, 2009
em cadeia
podia ter sido eu a escrever isto, de tal forma descreve bem a minha condição de leitora e o reconhecimento de que o pouco que possa ter a dizer ao mundo, outros já o disseram melhor do que eu. por isso leio, compulsivamente, assinalando tudo o que me faça aprender, sorrir ou pensar. por isso, este blog não passa de um bloco de apontamentos, um moleskine virtual. para os seus (im)prováveis leitores, deixo um rasto, um link na coluna da direita, que mostra os últimos 20 posts partilhados através do google reader.
por vezes, há qualquer coisa que merece um destaque especial. é o caso deste assobio da margarete, uma nota introdutória com a qual me identifiquei, mas que serve sobretudo para chamar a atenção para um artigo do público que fala de coisas sérias e nos obriga a reflectir. vão lá e leiam. ponham-se no lugar daqueles a quem chamam vilões.
terça-feira, janeiro 06, 2009
segunda-feira, janeiro 05, 2009
um universo barato
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.
sábado, janeiro 03, 2009
grandes civilizações
(...)
o vinho é indissociável do nascimento da química. De facto, a produção de bebidas por fermentação natural de alguns produtos vegetais data dos primórdios da civilização, encontrando-se registos desta actividade há pelo menos 6000 anos.
Entre os sumérios a cerveja era tão apreciada que existia uma deusa da cerveja, Ninkasi, e o código de Hammurabi incluía uma série de disposições sobre a cerveja, nomeadamente prescrevia punições físicas para os taberneiros que a diluissem. Já os egipcios pareciam preferir o vinho sendo a cerveja - henket ou zythum - a bebida da povo e aparentemente dos sacerdotes de Ámon. De facto, Ramsés III passou a ser conhecido como o faraó-cervejeiro depois de agraciar os referidos sacerdotes com quasi meio milhão de ânforas do precioso líquido.
ler "o espírito do vinho" na íntegra, aqui.
o vinho é indissociável do nascimento da química. De facto, a produção de bebidas por fermentação natural de alguns produtos vegetais data dos primórdios da civilização, encontrando-se registos desta actividade há pelo menos 6000 anos.
Entre os sumérios a cerveja era tão apreciada que existia uma deusa da cerveja, Ninkasi, e o código de Hammurabi incluía uma série de disposições sobre a cerveja, nomeadamente prescrevia punições físicas para os taberneiros que a diluissem. Já os egipcios pareciam preferir o vinho sendo a cerveja - henket ou zythum - a bebida da povo e aparentemente dos sacerdotes de Ámon. De facto, Ramsés III passou a ser conhecido como o faraó-cervejeiro depois de agraciar os referidos sacerdotes com quasi meio milhão de ânforas do precioso líquido.
ler "o espírito do vinho" na íntegra, aqui.
play it again, sam # 6
as tears go by - marianne faithfull
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sexta-feira, janeiro 02, 2009
quinta-feira, janeiro 01, 2009
quarta-feira, dezembro 31, 2008
alien
um dia. mais um. sem pressões, horários, alegria por encomenda. sem entusiasmo de ocasião, sem centenas de sms's e telefonemas e mails que se tornam quase obrigatórios a assinalar estas datas supostamente festivas. não encaixo, lamento - na verdade, não sei se lamento - no formato tradicional. acabei de tomar banho e vesti um pijama confortável. faltou-me a paciência de ir à biblioteca para trazer filmes que constituissem alternativa ao programa de televisão. já vi um filme idiota enquanto petiscava paio, queijo, patê e vinho tinto. quase não tenho leite e tenho a certeza de que me faltam outras cenas mais ou menos prementes no frigorífico, mas não hei-de morrer de fome por não ter enfrentado o consumismo desenfreado do último dia do ano. mais logo, há camarões para cozer e espumante bruto. para os doces, basta-me um bolo que uma amiga me ofereceu, só porque calhou. tenho os meus bichos e a companhia de quem também não lhe apetece obrigações festivas. não tenho programa, para além de deixar correr o dia. o mundo, amanhã de manhã, será o mesmo de hoje. deste ano que passou, não há balanço possível. de tempos a tempos, um gato roça-me nas pernas. na rádio, ouve-se jazz, baixinho.
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terça-feira, dezembro 30, 2008
do arco da velha
esta citação do miguel esteves cardoso:
A personalidade das pessoas não tem nada a ver com a escrita. As coisas têm de se distinguir completamente. Quando se lê um livro de um determinado autor, porque é que se há-de saber a vida dele? (...) A obra é uma coisa que fica. Se tirarmos os filhos da puta da literatura e da pintura, ficamos com nada. Se se tirarem os bêbedos, fica-se com zero. Se deixarmos só os livros feitos por pessoas que se portavam bem, tratavam bem a mulher, eram bons amigos e pagavam as contas a horas, ficamos só com merda.
e este tube da animação de abertura de um filme da pantera cor-de-rosa:
são mesmo coisas do arco da velha!
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domingo, dezembro 28, 2008
sábado, dezembro 27, 2008
sexta-feira, dezembro 26, 2008
a invenção do dia claro
+O LIVRO+
Entrei numa livraria. Puz-me a contar os livros que ha para
ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para
metade da livraria.
Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa,
senão estou perdido.
No entanto, as pessoas que entravam na livraria estavam todas
muito bem vestidas de quem precisa salvar-se.
* * * * *
Comprei um livro de filosofia. Filosofia é a sciencia que trata
da vida; era justamente do que eu necessitava--pôr sciencia na minha
vida.
Li o livro de filosofia, não ganhei nada, Mãe! não ganhei nada.
Disseram-me que era necessario estar já iniciado, ora eu só
tenho uma iniciação, é esta de ter sido posto neste mundo á imagem
e semelhança de Deus. Não basta?
* * * * *
Imaginava eu que havía tratados da vida das pessoas, como
ha tratados da vida das plantas, com tudo tão bem explicado, assim
parecidos com o tratamento que ha para os animaes domesticos,
não é? Como os cavalos tão bem feitos que ha!
Imaginava eu que havia um livro para as pessoas, como ha
hostias para cuidar da febre. Um livro com tanta certeza como uma
hostia. Um livro pequenino, com duas paginas, como uma hostia.
Um livro que dissesse tudo, claro e depressa, como um cartaz, com
a morada e o dia.
* * * * *
Não achas, Mãe? Por exemplo. Ha um cão vadio, sujo e com fome,
cuida-se deste cão e ele deixa de ser vadio, deixa de estar
sujo e deixa de ter fome. Até as crianças já lhe fazem festas.
Cuidaram do cão porque o cão não sabe cuidar de si--não saber
cuidar de si é ser cão.
Ora eu não queria que cuidassem de mim, mas gostava que me
ajudassem, para eu não estar assim, para que fosse eu o dono
de mim, para que os que me vissem dissessem: Que bem que aquele
soube cuidar de si!
* * * * *
Eu queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se
diz: Olha um cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma
arvore! quando ha uma arvore. Assim, inteiro, sem adjectivos,
só de uma peça: Um homem!
* * * * *
Mas eu andei a procurar por todas as vidas uma para copiar
e nenhuma era para copiar.
Como o livro, as pessoas tinham principio, meio e fim. A principio
o livro chamava-me, no meio o livro deu-me a mão, no fim fiquei
com a mão suada do livro de me ter estendido a mão.
Talvez que nos outros livros... mas os titulos dos livros são
como os nomes das pessoas--não quere dizer nada, é só para não
se confundir...
* * * * *
Na montra estava um livro chamado «O lial conselheiro». Escrito
antigamente por um Rei dos Portuguezes! Escrito de uma só
maneira para todas as especies de seus vassalos!
Bemdito homem que foi na verdade Rei! O Mestre que quere que eu
seja Mestre!
Eu acho que todos os livros deviam chamar-se assim: «O lial
conselheiro»! Não achas, Mãe?
O Mestre escreveu o que sabia--por isso ele foi Mestre. As palavras
tornaram presentes como o Mestre fazia atenção. Estas palavras
ficaram escritas por causa dos outros tambem. Os outros aprendiam
a ler para chegarem a Mestres--era com esta intenção que se
aprendia a ler antigamente.
* * * * *
Sonhei com um paíz onde todos chegavam a Mestres. Começava
cada qual por fazer a caneta e o aparo com que se punha á
escuta do universo; em seguida, fabricava desde a materia prima o
papel onde ia assentando as confidencias que recebia directamente
do universo; depois, descia até ao fundo dos rochedos por causa da
tinta negra dos chócos; gravava letra por letra o tipo com que compunha
as suas palavras; e arrancava da arvore a prensa onde apertava
com segurança as descobertas para irem ter com os outros. Era
assim que neste país todos chegavam a Mestres. Era assim que
os Mestres iam escrevendo as frases que hão-de salvar a humanidade.
* * * * *
Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já
estavam todas escritas, só faltava uma coisa--salvar a humanidade.
José Almada Negreiros - Projecto Gutenberg - online reader - págs 2 / 3 / 4
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