quarta-feira, janeiro 30, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
carpe diem
quarta-feira, janeiro 23, 2008
terça-feira, janeiro 22, 2008
o espelho
as letras miudinhas
segunda-feira, janeiro 21, 2008
em defesa do serviço nacional de saúde
Assinem e divulguem esta petição, aqui
sexta-feira, janeiro 18, 2008
post com dedicatória
quinta-feira, janeiro 17, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
contos do gin-tónico # 2
sábado, janeiro 12, 2008
quarta-feira, janeiro 09, 2008
segunda-feira, janeiro 07, 2008
domingo, janeiro 06, 2008
os fumadores morrem prematuramente # 5

os fumadores morrem prematuramente # 4

os fumadores morrem prematuramente # 3

sexta-feira, janeiro 04, 2008
terça-feira, janeiro 01, 2008
segunda-feira, dezembro 31, 2007
uma baforada e feliz ano novo

“Disclaimer” nº 1: fumo tabaco (não sou fumador, pois isso não é uma identidade). “Disclaimer” nº 2: concordo com leis de defesa das pessoas (incluindo “fumadores”) que não fumam e com a proibição de fumar em espaços públicos fechados.
Posto isto, o que me preocupa é a vaga cultural que aí vem, à semelhança do que aconteceu, por exemplo, nos EUA - o tsunami fundamentalista e virtuoso. É uma vaga em que se mistura o fundamentalismo de origem religiosa sobre o corpo como templo de Deus com o fundamentalismo higienista da eugenia do século XX e com o fundamentalismo da imortalidade, da saúde, do health club, da dieta e da ortorexia do século XXI. A partir de 1 de Janeiro vou ser como aqueles homens que eram acusados de servir o diabo por consumirem álcool e os herdeiros contemporâneos das militantes evangélicas da lei seca norte-americana vão crucificar-me. Porque a verdadeira e mais profunda convicção dessa gente é a de que a lei antitabágica é amendoins – nada menos do que a ilegalização do tabaco, a medicalização e a criminalização dos fumadores as satisfaria. Porque para elas, sim, há uma espécie, a dos fumadores. Espécie inferior ou, no mínimo, raça degenerada, à espera de ser resgatada do seu ínvio comportamento ou punida pela sua recusa primitiva em ascender à civilização. A partir de 1 de Janeiro serei um drogado, um junkie, uma pessoa sem força de vontade, um fraco, um untermensch, um pedaço de lixo, um peso para a sociedade, alguém que vai consumir em contas hospitalares os impostos pagos pelos outros (é claro que este “argumento” deliciosamente irracional nunca refere os impostos que eu pago – e bem e de bom grado – pelos abortos de pessoas com quem nem o sexo partilho, ou pelo tratamento da diabetes de comedores compulsivos de doces). A partir de 1 de Janeiro eu terei uma falha moral, serei uma pessoa suja, decadente, nojenta, atentatória do bem-estar da nação, anti social, em suma: má. O mal terá tomado conta de mim, e o mal que passará a habitar em mim é um mal perigoso, que poderá contagiar os outros e contribuir para a decadência generalizada da sociedade. Será um mal a extirpar, mais tarde ou mais cedo. Não serei uma pessoa com comportamentos de risco, serei membro de um grupo de risco, um sidoso. E esse problema não será só meu, será dos outros, dos virtuosos (os sidosos da virtude?), porque o virtuoso não quer o bem do outro, quer é não ter que o ver, quer é que ele não seja. A partir de 1 de Janeiro serei o exemplo negativo a mostrar às crianças, o pária, o andrajoso, o papão, o judeu salivante esperando à esquina por inocentes violáveis, serei pior do que um “paneleiro”. Deu-lhes para aqui, talvez por simetria com a - de facto - execrável indústria tabaqueira. Foram o fumo e o tabaco como poderia ter sido qualquer outra coisa. Já foi o álcool, já foi o sexo, amanhã será outra coisa. Mas a partir de 1 de Janeiro, a moral cristã, a moral do estado-nação e a moral médica partilharão a cama das mentes virtuosas, para quem o verdadeiro problema não é – e nunca foi – garantir um equilíbrio de liberdades, garantir o seu direito a estarem em espaços sem fumo. Mentes para quem o verdadeiro problema é estarem rodeadas de sujos imorais. Gente que para lá da absoluta legitimidade de pedir para que não se fume em suas casas ou muito perto delas, não deixará de azucrinar com conversa antitabágica onde e quando quer que seja.
Gente com quem não terei o mais pequeno interesse em aguentar cinco minutos sequer de conversa num ambiente utópica, laboratorial e celestialmente limpo, temperado pela poluição dos seus queridos e smoke-free automóveis promotores de status para parolos. À vossa, padres-polícias-pneumologistas, uma baforada e um feliz ano novo.
Miguel Vale de Almeida
foto daqui
quarta-feira, dezembro 26, 2007
insónia
esquerdo.
Um minuto sobre o lado
direito.
Um pouco de costas,
um segundo sobre o ventre.
Dou voltas no vazio.
Frio nos meus sonhos,
frio na minha cama.
Os ladrões de sono saquearam a minha noite,
um deles
teve pena de mim
e deixou-me a manhã
na mesa-de-cabeceira.
Maram-Al-Masri
roubado à lebre
terça-feira, dezembro 18, 2007
contos do gin tónico # 1
- Não mais complicado do que qualquer outro - retorquiu Guilhermino o xadrezista que, no lado oposto da mesa, se limitava a um puré de legumes e queijo de soja. Era vegetariano. E também Grande Mestre.
- Desculpem-me a interrupção - permitiu-se dizer o 'maître' com uma leve inclinação, aparecendo junto à mesa. - Mas creio dever informar os senhores que, por um engano inesperado, o chefe da cozinha deitou no rosbife a estricnina que tínhamos para usar nas ratoeiras. É lamentável. Podem crer que a casa está sinceramente penalizada com o acontecimento. - Com um sorriso discreto e compreensivo, retirou-se deslizando e desapareceu entre o ruído animado da sala.
Armindo estremeceu, contra vontade. O rosto mudou-lhe um pouco. Para verde. E arrotou.
Então teve um movimento em que parecia retorcer-se e começou a inclinar-se para o prato.
- Realmente não mais complicado do que qualquer outro - insistiu Guilhermino, enquanto desviava o copo para que o corrector não lhe acertasse com a cabeça. Levou à boca um pouco mais de puré de legumes. Com prazer.
- Queiram desculpar-me ainda mais esta interrupção - disse o 'maître', reaparecendo-lhes ao lado e inclinando-se levemente.
- Parece-me ser de minha obrigação informar os senhores que, por engano realmente impróprio, o chefe da cozinha deitou no puré de legumes o arsénico que estava destinado aos cães vadios. Permito-me afirmar que a casa lamenta, e que isto não voltará a acontecer tão cedo. - Com o sorriso discreto retirou-se, deslizando até desaparecer entre as mesas murmurantes.
Guilhermino o xadrezista ficou a olhar o espaço. Apenas a imaginar como conseguiria, só com um copo, o paliteiro e o saleiro, dar cheque à garrafa de Armindo o corrector. Então sentiu a dor que, fulgurante, lhe subia dos intestinos.
Pelo chão alcatifado começavam a estrebuchar clientes.
domingo, dezembro 16, 2007
Ludwig
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Os Jetsons

O post anterior fez-me lembrar os desenhos animados dos Jetsons. A família, criada nos anos 60 por Hanna-Barbera, viajava no espaço, tinha carros voadores, computadores e, melhor que tudo, tinha um robot chamado Rosie, que se encarregava das tarefas domésticas. Quando era pequena e os via na televisão, acreditava que o futuro - a acção situava-se no século XXI - podia ser assim. Agora que penso nisso, sinto-me um tanto defraudada nas expectativas que me criaram na infância.
segunda-feira, dezembro 10, 2007
a clean house is a sign of a wasted life

quinta-feira, dezembro 06, 2007
Complaints Choir Project
It all got started during a winter day walk of Tellervo Kalleinen and Oliver Kochta-Kalleinen in Helsinki. Perhaps it was due to the coldness of the day that they ended up discussing the possibility of transforming the huge energy people put into complaining into something else. Perhaps not directly into heat – but into something powerful anyway.
In the Finnish vocabulary there is an expression "Valituskuoro". It means "Complaints Choir" and it is used to describe situations where a lot of people are complaining simultaneously. Kalleinen and Kochta-Kalleinen thought: "Wouldn´t it be fantastic to take this expression literally and organise a real Complaints Choir!"
As complaining is a universal phenomenon the project could be organised in any city around the world. Kalleinen and Kochta-Kalleinen offered the concept to different events where they were invited as artists – but it was only after Springhill Institute in Birmingham got excited about the idea that the First Complaints Choir became a reality.
Birmingham (to some known as the "arsehole of England") was a perfect place to start the project. The participants – found through flyers and small posters – understood the concept instinctively. Local musician Mike Hurley turned the complaints into a easy to learn song. Within two weeks time the song was rehearsed to perfection by the committed participants – despite the fact that only few were able to sing. A hit was born – with a chorus you can't get out of your mind: "I want my money back..."
After the Complaints Choir of Birmingham became a surprise success Kalleinen and Kochta-Kalleinen have been invited to initiate complaints choirs all around the globe. In numerous letters people describe how exactly in Hong Kong, Philadelphia, Gothenburg, or Buenos Aires people complain perhaps more than anywhere else in the world.
Kalleinen and Kochta-Kalleinen do continue the project. Beside Birmingham they initiated the Complaints Choir of Helsinki,the Complaints Choir of St. Petersburg and the Complaints Choir of Hamburg-Wilhelmsburg. But their limited capacity to fulfil the aparent big need for complaints choirs worldwide have led them to open this web site and encourage people to form their own complaints choir.
Meanwhile several Complaints Choirs have been initiated by other people around the world. It started with the Poikkilaakso Complaints Choir formed at a school near Helsinki by Matti Salo and Elisa Hilli, the Bodø Complaints Choir organized by Kari Koksvik and Mikael Rönnberg and the Pittsburgh Complaints Choir initiated by Jenn and Ray Strobel. The CBC radio station "As It Happens" also organized their own interpreatation of a Canadian Complaints Choir. Even Alaska has now it's own Complaints Choir aka Skunk Cabbage Complaints Choral, which is intened to become an annual cultural highlight in Juneau. The Budapest Complaint Choir aka Panaszkorus became a great success – Hungarians actually claim to be the "World Champions of Complaining". The did their best to prove this claim. You can check out all at the CHOIR section of this site. Our thanks goes to all those enthusiastic people that have made complaining such a rewarding activity.
links para o site do projecto e para o post do renas e veados, que me deu a conhecer esta original iniciativa.
coro de birmingham
terça-feira, dezembro 04, 2007
segunda-feira, dezembro 03, 2007
sexta-feira, novembro 30, 2007
anita mais atrevida

o renas e veados tem vindo a publicar uma série de capas alternativas, perversamente deliciosas, dos clássicos livros infantis da Anita.
the perfect christmas carol
Fuck Christmas!
It's a waste of fucking time
Fuck Santa!
He's just out to get your dime,
Fuck Holly and fuck Ivy
And fuck all that mistletoe!
White-bearded big fat bastards
Ringing bells where e'er you go
And bloated men in shopping malls
All going Ho-Ho-Ho
It's fucking Christmas time again!
Fuck Christmas!
It's a fucking Disney show
Fuck reindeer
And all that fucking snow!
Fuck carols
And fuck Rudolph
And his stupid fucking nose
And fucking sleigh bells tinkling
Everywhere you fucking goes!
Fuck stockings and fuck shopping
It just drives us all insane!
Go tell the elves
To fuck themselves
It's Christmas time again!
(Composers: Eric Idle & John Du Prez
Author: Eric Idle
Singer: Eric Idle)
Da série JINGOBÉ, JINGOBÉ – FUCK CHRISTMAS!, absolutamente a não perder no Provas de Contacto
quinta-feira, novembro 29, 2007
os dias de glória
e olhas para trás. Tens medo do começo do fim,
das tardes de domingo; um dia, distraído,
tens medo do sexo, da amabilidade e da noite,
e dos rostos que foram belos – e não são mais.
Envelheces muito
quando o mundo contraria as pequenas coisas,
sentes esse cansaço, nada a fazer.
Mesmo da poesia, que iluminava o tempo, vais
colhendo apenas a amargura; os outros procuram nela
sinais de um destino, datas curiosas, zangas, ventanias,
armadilhas, mas tu sabes – e só tu sabes –
que a tua vida é a tua vida e que o poema
é empurrado por outro sopro, por um reflexo,
um medo brutal, pela memória dos que morreram
e levaram uma parte de ti, um pouco do que havia
de comum entre ti e a vida, esse desperdício – às vezes –,
esses momentos de glória em dias felizes.
Envelheces com os ossos que envelhecem.
Envelheces sem querer.
Por ti serias eternamente jovem, adolescente,
e percorrerias as estradas das serras, as florestas,
não para viveres sempre, mas para estares vivo
mais um instante, porque o espectáculo é belo
uma vez por outra.
Envelheces pouco a pouco,
porque as coisas não são o que foram nem são o que são.
Francisco José Viegas, in Se me comovesse o Amor
na origem das espécies
segunda-feira, novembro 26, 2007
domingo, novembro 25, 2007
a frase do dia
Daniel Oliveira no Arrastão











































