








“Disclaimer” nº 1: fumo tabaco (não sou fumador, pois isso não é uma identidade). “Disclaimer” nº 2: concordo com leis de defesa das pessoas (incluindo “fumadores”) que não fumam e com a proibição de fumar em espaços públicos fechados.
Posto isto, o que me preocupa é a vaga cultural que aí vem, à semelhança do que aconteceu, por exemplo, nos EUA - o tsunami fundamentalista e virtuoso. É uma vaga em que se mistura o fundamentalismo de origem religiosa sobre o corpo como templo de Deus com o fundamentalismo higienista da eugenia do século XX e com o fundamentalismo da imortalidade, da saúde, do health club, da dieta e da ortorexia do século XXI. A partir de 1 de Janeiro vou ser como aqueles homens que eram acusados de servir o diabo por consumirem álcool e os herdeiros contemporâneos das militantes evangélicas da lei seca norte-americana vão crucificar-me. Porque a verdadeira e mais profunda convicção dessa gente é a de que a lei antitabágica é amendoins – nada menos do que a ilegalização do tabaco, a medicalização e a criminalização dos fumadores as satisfaria. Porque para elas, sim, há uma espécie, a dos fumadores. Espécie inferior ou, no mínimo, raça degenerada, à espera de ser resgatada do seu ínvio comportamento ou punida pela sua recusa primitiva em ascender à civilização. A partir de 1 de Janeiro serei um drogado, um junkie, uma pessoa sem força de vontade, um fraco, um untermensch, um pedaço de lixo, um peso para a sociedade, alguém que vai consumir em contas hospitalares os impostos pagos pelos outros (é claro que este “argumento” deliciosamente irracional nunca refere os impostos que eu pago – e bem e de bom grado – pelos abortos de pessoas com quem nem o sexo partilho, ou pelo tratamento da diabetes de comedores compulsivos de doces). A partir de 1 de Janeiro eu terei uma falha moral, serei uma pessoa suja, decadente, nojenta, atentatória do bem-estar da nação, anti social, em suma: má. O mal terá tomado conta de mim, e o mal que passará a habitar em mim é um mal perigoso, que poderá contagiar os outros e contribuir para a decadência generalizada da sociedade. Será um mal a extirpar, mais tarde ou mais cedo. Não serei uma pessoa com comportamentos de risco, serei membro de um grupo de risco, um sidoso. E esse problema não será só meu, será dos outros, dos virtuosos (os sidosos da virtude?), porque o virtuoso não quer o bem do outro, quer é não ter que o ver, quer é que ele não seja. A partir de 1 de Janeiro serei o exemplo negativo a mostrar às crianças, o pária, o andrajoso, o papão, o judeu salivante esperando à esquina por inocentes violáveis, serei pior do que um “paneleiro”. Deu-lhes para aqui, talvez por simetria com a - de facto - execrável indústria tabaqueira. Foram o fumo e o tabaco como poderia ter sido qualquer outra coisa. Já foi o álcool, já foi o sexo, amanhã será outra coisa. Mas a partir de 1 de Janeiro, a moral cristã, a moral do estado-nação e a moral médica partilharão a cama das mentes virtuosas, para quem o verdadeiro problema não é – e nunca foi – garantir um equilíbrio de liberdades, garantir o seu direito a estarem em espaços sem fumo. Mentes para quem o verdadeiro problema é estarem rodeadas de sujos imorais. Gente que para lá da absoluta legitimidade de pedir para que não se fume em suas casas ou muito perto delas, não deixará de azucrinar com conversa antitabágica onde e quando quer que seja.
Gente com quem não terei o mais pequeno interesse em aguentar cinco minutos sequer de conversa num ambiente utópica, laboratorial e celestialmente limpo, temperado pela poluição dos seus queridos e smoke-free automóveis promotores de status para parolos. À vossa, padres-polícias-pneumologistas, uma baforada e um feliz ano novo.

O post anterior fez-me lembrar os desenhos animados dos Jetsons. A família, criada nos anos 60 por Hanna-Barbera, viajava no espaço, tinha carros voadores, computadores e, melhor que tudo, tinha um robot chamado Rosie, que se encarregava das tarefas domésticas. Quando era pequena e os via na televisão, acreditava que o futuro - a acção situava-se no século XXI - podia ser assim. Agora que penso nisso, sinto-me um tanto defraudada nas expectativas que me criaram na infância.

Birmingham (to some known as the "arsehole of England") was a perfect place to start the project. The participants – found through flyers and small posters – understood the concept instinctively. Local musician Mike Hurley turned the complaints into a easy to learn song. Within two weeks time the song was rehearsed to perfection by the committed participants – despite the fact that only few were able to sing. A hit was born – with a chorus you can't get out of your mind: "I want my money back..."
After the Complaints Choir of Birmingham became a surprise success Kalleinen and Kochta-Kalleinen have been invited to initiate complaints choirs all around the globe. In numerous letters people describe how exactly in Hong Kong, Philadelphia, Gothenburg, or Buenos Aires people complain perhaps more than anywhere else in the world.
Kalleinen and Kochta-Kalleinen do continue the project. Beside Birmingham they initiated the Complaints Choir of Helsinki,the Complaints Choir of St. Petersburg and the Complaints Choir of Hamburg-Wilhelmsburg. But their limited capacity to fulfil the aparent big need for complaints choirs worldwide have led them to open this web site and encourage people to form their own complaints choir.
Meanwhile several Complaints Choirs have been initiated by other people around the world. It started with the Poikkilaakso Complaints Choir formed at a school near Helsinki by Matti Salo and Elisa Hilli, the Bodø Complaints Choir organized by Kari Koksvik and Mikael Rönnberg and the Pittsburgh Complaints Choir initiated by Jenn and Ray Strobel. The CBC radio station "As It Happens" also organized their own interpreatation of a Canadian Complaints Choir. Even Alaska has now it's own Complaints Choir aka Skunk Cabbage Complaints Choral, which is intened to become an annual cultural highlight in Juneau. The Budapest Complaint Choir aka Panaszkorus became a great success – Hungarians actually claim to be the "World Champions of Complaining". The did their best to prove this claim. You can check out all at the CHOIR section of this site. Our thanks goes to all those enthusiastic people that have made complaining such a rewarding activity.
links para o site do projecto e para o post do renas e veados, que me deu a conhecer esta original iniciativa.
coro de birmingham

Da série JINGOBÉ, JINGOBÉ – FUCK CHRISTMAS!, absolutamente a não perder no Provas de Contacto

