segunda-feira, novembro 19, 2007

chema madoz














domingo, novembro 18, 2007

hey, you...


Julia M. Cameron

Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada, porque arrasei o que não quis
em nome da estrada, onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.







(happy birthday, sister)

quinta-feira, novembro 15, 2007

sábado, novembro 10, 2007

Glorius Autumn Days # 2





Aviso à navegação

No Paladru tem havido posts regulares de boa música e boa fotografia.

quinta-feira, novembro 08, 2007

>:]



Felizmente, cá em casa, não há tacos de basebol.

vídeo roubado à menina-alice

domingo, novembro 04, 2007

catálogo de nuvens





sábado, novembro 03, 2007

lisbon revisited # 2

Não consigo conceber a cidade como um aglomerado de prédios que crescem selvaticamente como cogumelos, sem qualquer planeamento urbanístico, ao sabor dos ventos da especulação imobiliária. Privilegiada pelo horizonte largo de um jardim para onde se debruçavam todas as janelas da casa onde vivi até aos 30 anos, arrepia-me pensar nos bairros-gaveta em que não se pode fugir a dar de caras com a vida dos vizinhos. O anonimato da cidade pode ser solidão, mas é também a liberdade que sempre defendi ferozmente. É de novo na minha ascendência materna que me reconheço nesta postura distante - por muitos considerada arrogante e até declaradamente hostil - de não-se-metam-na-minha-vida. Crescendo longe de mexericos da vizinhança que nunca encontraram eco nos ouvidos da minha mãe, lograva iludir a vigilância familiar protectora e claustrofóbica, aventurando-me em escapadelas da escola, transgredindo limites e desbravando territórios proíbidos num arrojo crescente, das primeiras incursões às máquinas de gelados de cone do café mesmo em frente à escola preparatória, à vagabundagem pelo vale do silêncio, cemitério, encarnação, olivais velho.


Um bairro que granjeou má fama pela heterogeneidade dos seus habitantes, muitos deles de classes sociais economicamente desfavorecidas, nunca me tolheu a liberdade de viver a rua, onde creio não ter corrido mais riscos do que em qualquer outra zona da cidade. Cedo se aprendia o modus vivendi que possibilitava a convivência com a multiplicidade das tribos - dos betinhos aos janados - e se evitavam situações de confronto com a ciganada do bairro do relógio e outras zonas mais degradadas. Dado ser essencialmente um dormitório, com escasso comércio local, a maior parte dos seus habitantes trabalhava fora, estando as ruas, pracetas e jardins dos Olivais - e também os cafés - praticamente por conta dos putos das escolas, entregues a si próprios durante todo o dia.


Nos Olivais em que eu vivi não havia metro, os autocarros eram escassos, abarrotavam de gente e nunca cumpriam horários. Também não havia cinema, nem centro comercial, nem bedeteca, nem quinta pedagógica. Ainda existiam alguns terrenos baldios, com carreirinhos formados a corta-mato, muito usados para encurtar caminhos. Tínhamos bicicletas, bolas, passeios largos, muitas pracetas e espaços verdes. Percorríamos kilómetros a pé para visitar amigos, esperávamos os livros da biblioteca itinerante. Tínhamos o tempo e a rua, espaço de aventuras e cumplicidades.


A cidade descoberta pelo meu próprio pé, começou aqui.







fotos do arquivo fotográfico da câmara municipal de lisboa

terça-feira, outubro 23, 2007

glorius autumn days

terça-feira, outubro 16, 2007

sexta-feira, outubro 12, 2007


Tinha saído tarde do trabalho e, parada no trânsito, ainda praguejava mentalmente contra quem, por mera falta de respeito, me tinha feito perder tantas horas inúteis. Ao descer a Alameda da Universidade, o chilrear de pássaros fez-me erguer os olhos para ver os habituais pardalitos que ao entardecer esvoaçam em torno das árvores, em grande azáfama. Foi quando reparei numas aves de maior porte que, cruzando os ares, enchiam o céu de manchas esverdeadas, pousando nos ramos dos enormes eucaliptos que ladeiam a alameda. Janela do carro aberta e eu já esquecida das minhas fúrias, deslumbrada com as dezenas de pequenos papagaios que me sobrevoavam, quase grata pela fila de carros parados à minha frente que me permitiam apreciar o inesperado espectáculo. Finalmente segui caminho, cheia de curiosidade sobre a presença destes bandos papagaios nos céus de Lisboa.

A máquina fotográfica vai voltar a andar comigo no carro. Se a ocasião se repetir, não quero perder a oportunidade de registar o momento.