segunda-feira, fevereiro 26, 2007

acabou-se. que se lixe as modernices. este blog está de volta ao velho template.

sábado, fevereiro 24, 2007

shit!

Quem me mandou a mim actualizar para os novos layouts do blogger, hm? Agora perdi os links e o arquivo do blog ficou com aspecto de lista telefónica. Vou ali bater com a cabeça na parede e já volto.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

ZECA AFONSO (1929 - 1987)

águas das fontes calai, ó ribeiras chorai
que eu não volto a cantar




domingo, fevereiro 18, 2007

you must believe in spring*

Hoje vi as primeiras andorinhas.


* Raquel Costa

E ainda me atrevo a amar
o som da luz numa hora morta,
a cor do tempo num muro abandonado.

Em meu olhar o perdi todo.
É tão distante pedir. Tão perto saber que não há.



Alejandra Pizarnik

sábado, fevereiro 17, 2007

quinta-feira, fevereiro 15, 2007


quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Se perguntarem: das artes do mundo?
Das artes do mundo escolho a de ver cometas
despenharem-se
nas grandes massas de água: depois, as brasas pelos
recantos,
charcos entre elas.
Quero na escuridão revolvida pelas luzes
ganhar baptismo, ofício.
Queimado nas orlas de fogo das poças.
O meu nome é esse.
E os dias atravessam as noites até aos outros dias, as
noites,
caem dentro dos dias – e eu estudo
astros desmoronados, mananciais, o segredo.

Herberto Hélder

terça-feira, fevereiro 13, 2007

driving back home

relvado da cidade universitária
ponte vasco da gama
perto de casa

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

terça-feira, fevereiro 06, 2007






domingo, fevereiro 04, 2007

Andre Ketersz # 2

Clock of the Académie Française
Under the Eiffel Tower
Andre Kertesz
Este blog fez um ano e eu nem dei por isso.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Aquarela

chez mondrian

elisabeth's book
Andre Kertesz

segunda-feira, janeiro 29, 2007

--> follow the link -->


paula rego

(para ver - e ler - mais no não tenho vida para isto )

you can call me a bitch

SIM


Alice Geirinhas
ideia copiada do voluvel quanto basta

sexta-feira, janeiro 26, 2007

The Blowers Daughter

And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it is
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it is
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off of you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off of you
I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind...my mind...
'Til I find somebody new



esta menina lembrou-se de inventariar toponímias que não lembram ao diabo. O endereço do blog vai já para os links favoritos.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Nuvens mostram-nos ao longe
a ficção de serem formas cénicas.
Mesmo rostos podem nascer ali
debaixo de madeixas claras.
Risos podem rasgar-se, entre
raios de sol e sombra. Essa,
por vezes, a vida frágil dos risos.


Fiama Hasse Pais Brandão

terça-feira, janeiro 23, 2007

Icy Night
Alfred Stieglitz

segunda-feira, janeiro 22, 2007

When you were here before,
Couldn't look you in the eye
You're just like an angel,
Your skin makes me cry

You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
You're so fuckin' special

But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here

I don't care if it hurts,
I wanna have control
I want a perfect body
I want a perfect soul

I want you to notice
when I'm not around
You're so fuckin' special
I wish I was special

But I'm a creep
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here, ohhhh, ohhhh

She's running out again
She's running
She runs runs runs runs...
runs...

Whatever makes you happy
Whatever you want
You're so fucking special
I wish I was special

But I'm a creep,
I'm a weirdo
What the hell am I doin' here?
I don't belong here

I don't belong here...



domingo, janeiro 21, 2007

CONSERVE ESTE BILHETE ATÉ AO FINAL DA VIAGEM

Devo dizer que sempre preferi
os versos feridos pela prosa
da vida, os versos turvos
que tornam mais transparentes
os negros palcos do tempo, a dor
de sermos filhos das estações
e de andarmos por aí, hora após
hora, entre tudo o que declina
e piora. Em suma, os versos
que gritam: Temos as noites
contadas.
E também
os que replicam:
Valha-nos isso.


Rui Pires Cabral - Capitais da Solidão

sábado, janeiro 20, 2007

as ruínas circulares # 7

As ruínas do santuário do deus do fogo foram destruídas pelo fogo. Numa madrugada sem pássaros o mago viu abater-se sobre as paredes o incêndio concêntrico. Por um instante, pensou refugiar-se nas águas, mas logo compreendeu que a morte vinha coroar a sua velhice e absolvê-lo dos seus trabalhos. Caminhou ao encontro dos círculos de fogo. Estes não morderam a sua carne, acariciaram-no e inundaram-no sem calor e sem combustão. Com alívio, com humilhação, com terror, compreendeu que ele próprio também era uma aparência, que outro estava a sonhá-lo.

Jorge Luís Borges - Ficções

amadeo de souza cardoso # 5

i have become a silent movie
the hero killed the clown
can't make a sound
can't make a sound
can't make a sound
nobody knows what he's doing
still hanging around
can't make a sound
can't make a sound
can't make a sound
can't make a sound
the slow motion moves me
the monologue means nothing to me
bored in the role, but he can't stop
standing up to sit back down
or lose the one thing found
spinning the world like a toy top
til there's a ghost in every town
can't make a sound
can't make a sound
can't make a sound
can't make a sound
eyes locked and shining
can't you tell me what's happening?
why should you want any other when you're a world within a world?
why should you want any other when you're a world within a world?
why should you want any other when you're a world within a world?
why should you want any other when you're a world within a world?



quinta-feira, janeiro 18, 2007

as ruínas circulares # 6

Compreendeu com uma certa amargura que o seu filho estava pronto para nascer - e talvez até impaciente. Nessa noite beijou-o pela primeira vez e enviou-o para o outro templo cujos despojos branqueavam rio abaixo, a muitas léguas da inextricável floresta de pântanos. Mas antes (para que ele nunca soubesse que era um fantasma, para que se julgase um homem como os outros) infundiu-lhe o esquecimento total dos seus anos de aprendizagem.
(...)
Ao fim de um tempo que certos narradores da sua história preferem calcular em anos e outros em lustres, à meia noite acordaram-no dois remadores: não conseguiu ver as caras deles, mas falavam-lhe de um homem mágico num templo do Norte, capaz da andar sobre o fogo sem se queimar. O mago lembrou-se de repente das palavras do deus. Lembrou-se de que, de todas as criaturas que compõem o globo, o fogo era a única que sabia que o seu filho era um fantasma. Esta recordação, que o descansou ao princípio, acabou por atormentá-lo. Receou que o seu filho meditasse nesse privilégio anormal e descobrisse de qualquer modo a sua condição de mero simulacro. Não ser um homem, ser a projecção do sonho de outro homem, que humilhação incomparável, que vertigem!
Jorge Luís Borges - Ficções

quarta-feira, janeiro 17, 2007

:)

dedicado aos meus seis meninos:

mais cartoons em www.offthemark.com

marketing

Modelos inspirados nos momentos de elevação, indignação, embevecimento caseiro e arrojo metafísico do povo português.




não percam uma visita à Loja BomPovo

as ruínas circulares # 5

Em geral, os seus dias eram felizes; ao fechar os olhos pensava: agora vou estar com o meu filho ou então, mais raramente: o filho que gerei espera por mim e não existirá se eu não for ter com ele.


Jorge Luís Borges - Ficções

bichos # 3


segunda-feira, janeiro 15, 2007

as ruínas circulares # 4

No sonho do homem que sonhava o sonhado acordou.

Jorge Luís Borges - Ficções

amadeo de souza cardoso # 4

I've got memories
I keep them away from me
They won't behave
Won't be what I want them to be

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

So many squandered moments
So much wasted time
So busy chasing dreams
I left myself behind

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

So this dying slowly
It seemed better than shooting myself
This dying slowly
It seemed better than shooting myself

These worms, darling
They're nibbling away at me
They go at it when I'm sleeping
Won't let me get to my feet

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

So this dying slowly
It seemed better than shooting myself
This dying slowly
It seemed better than shooting -
If I could find the words to explain this feeling
I would shout them out
If I could find out all this, what's inside me

I would shout it out

So this dying slowly
It seemed better than shooting myself
This dying slowly
It seemed better than shouting it out

I make some coffee
Pull on that new pair of pants
I can get so far off
The feeling just falls away

I've seen it all and it's all done
I've been with everyone and no one

I'm just tired, baby
I just need to lay down
I'm just tired, darling
I just need to lay down
I'm just tired, baby
I just need to lay down
I'm just tired, darling
I just need to lay down
I'm just tired, darling



domingo, janeiro 14, 2007

as ruínas circulares # 3

Para retomar a tarefa, esperou que o disco da lua ficasse perfeito. Depois, à tarde purificou-se nas águas do rio, adorou os deuses planetários, pronunciou as sílabas lícitas de um nome poderoso e adormeceu. Quase imediatamente, sonhou com um coração a bater.
Sonhou-o activo, quente, secreto, do tamanho de um punho cerrado, de cor escarlate na penumbra de um corpo humano ainda sem cara nem sexo, com minucioso amor sonhou-o durante catorze lúcidas noites. Noite a noite, percebia-o com uma evidência cada vez maior. Não o tocava: limitava-se a testemunhá-lo, a observá-lo talvez, e corrigi-lo com o olhar. Percebia-o, vivia-o de muitas distâncias e de muitos ângulos. Na décima quarta noite roçou a artéria pulmonar com o dedo indicador e a seguir o coração todo, por fora e por dentro. O exame deixou-o satisfeito. Deliberadamente não sonhou durante uma noite: depois, tornou a pegar no coração, invocou o nome de um planeta e empreendeu a visão de outros dos orgãos principais. Em menos de um ano, chegou ao esqueleto, às pálpebras. O inumerável cabelo foi talvez a tarefa mais difícil. Sonhou um homem inteiro, um mancebo, mas este não se levantava nem falava nem podia abrir os olhos. Noite após noite, o homem sonhou-o adormecido.

Jorge Luís Borges - Ficções

bichos # 2


sábado, janeiro 13, 2007

amadeo de souza cardoso # 3


as ruínas circulares # 2

Um dia o homem emergiu do sono como de um deserto viscoso, fitou a vã luz da tarde que começou por confundir com a da aurora, e compreendeu que não tinha sonhado. Durante essa noite toda e todo o dia, abateu-se sobre ele a intolerável lucidez da insónia. Quis explorar a floresta, extenuar-se; só a custo conseguiu pela cicuta uns quantos lampejos de sono fraco, riscados fugazmente por visões de tipo rudimentar: inaproveitáveis. Quis voltar a reunir o colégio e mal articulou umas breves palavras de exortação, logo este se deformou e desfez. Na sua quase perpétua vigília, lágrimas de cólera queimavam-lhe os velhíssimos olhos.
Compreendeu que a tarefa de modelar a matéria incoerente e vertiginosa de que se compõem os sonhos é a mais árdua a que se pode entregar um homem (...).

banksy # 1








mais uma recomendação do sítio do costume (não, não é o pingo doce).

quarta-feira, janeiro 10, 2007

as ruínas circulares # 1

O desígnio que o guiava não era impossível, se bem que sobrenatural. Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo com uma integridade minuciosa e impô-lo à realidade. Este projecto mágico esgotara o espaço inteiro da sua alma; se alguém lhe perguntasse o seu próprio nome ou qualquer pormenor da sua vida anterior, não seria capaz de responder.
(...)
Ao princípio, os sonhos eram caóticos; pouco depois, foram de natureza dialéctica. O forasteiro sonhava-se no meio de um anfiteatro circular, que era de certo modo o templo incendiado: magotes de alunos taciturnos fatigavam os degraus; as caras dos das últimas filas pendiam há muitos séculos de distância e a uma altura estelar, mas viam-se com uma precisão absoluta. O homem dava-lhes lições de anatomia, de cosmografia, de magia: os rostos escutavam com ansiedade e tentavam responder com entendimento, como se adivinhassem a importância daquele exame, que deveria redimir um deles da vã aparência e o interpolaria no mundo real. O homem, no sonho e acordado, considerava as respostas dos seus fantasmas, não se deixava enganar pelos impostores, adivinhava em certas perplexidades uma inteligência crescente. Procurava uma alma que merecesse participar do universo.
Ao cabo de nove ou dez noites compreendeu com certa amargura que nada podia esperar dos alunos que aceitavam passivamente a sua doutrina, mas sim dos que arriscavam, às vezes, uma contradição razoável. Os primeiros, embora dignos de amor e afeição, não podiam elevar-se a indivíduos; os últimos preexistiam um pouco mais. Uma tarde (agora também as tardes eram tributárias do sonho, agora só estava acordado umas horinhas ao amanhecer) despediu para sempre o vasto colégio ilusório e ficou apenas com um único aluno.
Jorge Luís Borges - Ficções
Descoberta recente, com a devida vénia aos meus dealers culturais:



terça-feira, janeiro 09, 2007

Era o que sentia agora. Lembrava-se de uma terrível convulsão no seu interior, algo para cuja explicação todos os meios de que dispunha por enquanto eram insuficientes.
Portanto, concluiu, deve ter siso alguma coisa muito mais necessária e profunda do que se pode avaliar com a razão e os conceitos...
E aquilo que existira antes da paixão, que fora recoberto por ela, a coisa real, o verdadeiro problema, estava enraizado nele. Aquela perspectiva alternada de longe e perto, que ele experimentara. Aquela relação incompreensível que dá a factos e coisas valores súbitos, conforme o nosso ponto de vista, e que são inteiramente estranhos e incomparáveis entre si...
Isso e tudo o resto - ele via-o singularmente, nítido, puro e pequeno. Assim como vemos pela manhã, quando os primeiros e puros raios de sol secaram o suor do medo, e a mesa, o armário, o inimigo e o destino se recolhem novamente às suas dimensões naturais.
Mas tal como nesse caso permanece em nós uma leve lassidão pensativa, também assim acontecia com Torless. Agora ele sabia distinguir entre o dia e a noite; na verdade sempre soubera; apenas, um pesadelo deslizara sobre essas fronteiras, confundindo-as, e ele envergonhava-se dessa confusão. Contudo, a lembrança de que podia ser diferente, de que existem ao redor do ser humano fronteiras finas, facilmente extinguíveis, e de que sonhos febris se esgueiram em torno da nossa alma, corroendo os muros firmes e abrindo sulcos sinistros - essa lembrança acomodava-se no fundo dele e irradiava as suas pálidas sombras.
Robert Musil - O Jovem Torless
Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The battle king composing Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah




amadeo de souza cardoso # 2

segunda-feira, janeiro 08, 2007

I keep going round and round on the same old circuit.
A wire travles underground to a vacant lot.
Where something I can't see interrupts the current.
And shrinks the picture down to a tiny dot.
And from behind the screen, it can look so perfect.
But it's not.

So here im sittin in my car at the same old stop light.
I keep waiting for a change, but I don't know what.
So red turns into green, turning into yellow.
But I'm just frozen here on the same old spot.
And all I have to do is press the pedal.
But I'm not. No I'm not.

Well people are tricky,
You can't afford to show,
anything risky, anything they don't know.
The moment you try, well kiss it goodbye.

So baby kiss me like a drug, like a respirator.
And let me fall into the dream of the astrounaut.
Where I get lost in space that goes on forever.
And you make all the rest just an after thought.
And I believe it's you who could make it better.
But it's not. No it's not.



Já não tenho medo de nada. Sei que as coisas são coisas e sempre o serão, e que sempre as verei ora de uma maneira, ora de outra. Ora com os olhos do raciocínio, ora com aqueles outros...E nunca mais tentarei comparar as duas coisas.


Robert Musil - O Jovem Torless