Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
domingo, abril 22, 2007
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
sexta-feira, abril 20, 2007
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
quarta-feira, abril 18, 2007
Ler
- Ler - diz ele - é sempre isto: há uma coisa que ali está, uma coisa feita de escrita, um objecto sólido, material, que não se pode alterar, e através dessa coisa comparamo-nos com outra coisa qualquer que faz parte do mundo imaterial, invisível, porque é só pensável, imaginável, ou porque existiu e já não existe, passando, perdida, inalcansável, para o país dos mortos...
- ...Ou que não está presente porque ainda não existe, algo de desejado, de temido, possível ou impossível - diz Ludmilla - ler é ir ao encontro de qualquer coisa que está para ser e que ainda ninguém sabe o que será...
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
segunda-feira, abril 16, 2007
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
domingo, abril 15, 2007
as páginas em branco
O romance que estás a ler desejaria apresentar-te um mundo corporal, denso, minucioso. Mergulhado na leitura, movel maquinalmente o corta-papel pela espessura do volume: a ler ainda não chegaste ao fim do primeiro capítulo, mas a cortar já estás muito mais adiante. E eis que, no momento em que a tua atenção está mais suspensa, viras a folha a meio de uma frase decisiva e te deparas com duas páginas em branco.
ficas atónito, contemplando aquele branco cruel como uma ferida, quase na esperança de que seja um encadeamento da tua vista a projectar uma mancha de luz no livro, da qual pouco a pouco tornará a aflorar o rectângulo zebrado de caracteres de tinta. Não, é realmente uma alvura intacta que reina sobre as duas páginas que estão lado a lado. Viras mais uma vez a página e encontras duas páginas impressas como deve ser. Continuas a folhear o livro; duas páginas brancas alternam-se com duas páginas impressas. Brancas, impressas, brancas, impressas: e assim por diante até ao fim. As folhas de impressão só foram estampadas de um lado; depois dobradas e encadernadas como se estivessem completas.
Assim este romance tão densamente entretecido de sensações de repente apresenta-se-te dilacerado por voragens sem fundo, como se a pretensão de dar a plenitude vital revelasse o vazio que está por baixo.
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um Viajante
sábado, abril 14, 2007
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
segunda-feira, abril 09, 2007
Livros
Foi logo na montra da livraria que descobriste a capa com o título que procuravas. Atrás desta pista virtual, lá foste abrindo caminho pela loja dentro através da barreira cerrada dos Livros Que Não Leste, que de cenho franzido te olhavam das mesas e das estantes procurando intimidar-te. Mas tu sabes que não te deves deixar assustar, que no meio deles se estendem por hectares e hectares os Livros Que Podes Passar Sem Ler, os Livros Feitos Para Outros Usos Além Da Leitura, os Livros Já Lidos Sem Ser Preciso Sequer Abri-los Por Pertencerem À Categoria Do Já Lido Ainda Antes De Ser Escrito. E assim transpões a primeira muralha dos baluartes e cai-te em cima a infantaria dos Livros Que Se Tivesses Mais Vidas Para Viver Certamente Lerias Também De Bom Grado Mas Infelizmente Os Dias Que Tens Para Viver São Os Que Tens Contados. Com um movimento rápido passas por cima deles e vais parar ao meio das falanges dos Livros Que Tens Intenção De Ler Mas Antes Deverias Ler Outros, dos Livros Demasiado Caros Que Podes Esperar Comprar Quando Forem Vendidos Em Saldo, dos Livros Idem Idem Aspas Aspas Quando Forem Reeditados Em Formato De Bolso, dos Livros Que Podes Pedir A Alguém Que Te Empreste e dos Livros Que Todos Leram E Portanto É Como Se Também Os Tivesses Lido. Escapando a estes assaltos, avanças para diante das torres do reduto, onde te opõem resistência
os Livros Que Há Muito Tempo Programaste Ler,
os Livros Que Há Anos Procuravas Sem Os Encontrares,
os Livros Que Tratam De Alguma Coisa De Que Te Ocupas Neste Momento,
os Livros Que Queres Ter Para Estarem À Mão Em Qualquer Circunstância,
os Livros Que Poderias Pôr De Lado Para Leres Se Calhar Este Verão,
os Livros Que Te Faltam Para Pôr Ao Lado De Outros Livros Na Tua Estante,
os Livros Que Te Inspiram Uma Curiosidade Repentina, Frenética E Não Claramente Justificada.
E lá conseguiste reduzir o número ilimitado das forças em campo a um conjunto sem dúvida ainda muito grande mas já calculável num número finito, mesmo que este relativo alívio seja atacado pelas emboscadas dos Livros Lidos Há Tanto Tempo Que Já Seria Altura De Voltar A Lê-los e dos Livros Que Dizes Sempre Que Leste E Seria Altura De Te Decidires A Lê-los Mesmo.
Libertas-te com uns ziguezagues rápidos e penetras de um salto na cidadela das Novidades Cujo Autor Ou Assunto Te Atrai. Mesmo dentro desta fortaleza podes abrir brechas nas fileiras dos defensores dividindo-os em Novidades De Autores Ou Assuntos Não Novos (só para ti ou para toda a gente) e Novidades de Autores Ou Assuntos Completamente Desconhecidos (pelo menos para ti) e definir a atracção que eles exercem sobre ti com base nos teus desejos e necessidades de novo e de não novo (do novo que procuras no não novo e dos não novo que procuras no novo).
sexta-feira, abril 06, 2007
Leitura

Não é por esperares alguma coisa especial deste livro em especial. És uma pessoa que por questão de princípios já não espera nada de nada. Há muitos, mais jovens que tu mas também menos jovens, que vivem na expectativa de experiências extraordinárias; dos livros, das pessoas, das viagens, dos acontecimentos, do que o dia de amanhã lhes reserva. Tu não. Tu sabes que o melhor que se pode esperar é evitar o pior. Foi esta a conclusão a que chegaste, tanto na vida pessoal, como nas questões gerais e até mesmo mundiais. E com os livros? É isso, exactamente porque o excluíste em todos os outros campos, achas que é justo concederes-te ainda este prazer juvenil da expectativa num sector bem circunscrito como é o dos livros, onde as coisas te podem correr mal ou correr bem, mas o risco de decepção não é grave.
Italo Calvino - Se numa noite de Inverno um viajante
domingo, abril 01, 2007
quinta-feira, março 01, 2007
sábado, janeiro 20, 2007
as ruínas circulares # 7
quinta-feira, janeiro 18, 2007
as ruínas circulares # 6
quarta-feira, janeiro 17, 2007
as ruínas circulares # 5
Jorge Luís Borges - Ficções
segunda-feira, janeiro 15, 2007
as ruínas circulares # 4
Jorge Luís Borges - Ficções
domingo, janeiro 14, 2007
as ruínas circulares # 3
Jorge Luís Borges - Ficções
sábado, janeiro 13, 2007
as ruínas circulares # 2
Compreendeu que a tarefa de modelar a matéria incoerente e vertiginosa de que se compõem os sonhos é a mais árdua a que se pode entregar um homem (...).



