Tinha saído tarde do trabalho e, parada no trânsito, ainda praguejava mentalmente contra quem, por mera falta de respeito, me tinha feito perder tantas horas inúteis. Ao descer a Alameda da Universidade, o chilrear de pássaros fez-me erguer os olhos para ver os habituais pardalitos que ao entardecer esvoaçam em torno das árvores, em grande azáfama. Foi quando reparei numas aves de maior porte que, cruzando os ares, enchiam o céu de manchas esverdeadas, pousando nos ramos dos enormes eucaliptos que ladeiam a alameda. Janela do carro aberta e eu já esquecida das minhas fúrias, deslumbrada com as dezenas de pequenos papagaios que me sobrevoavam, quase grata pela fila de carros parados à minha frente que me permitiam apreciar o inesperado espectáculo. Finalmente segui caminho, cheia de curiosidade sobre a presença destes bandos papagaios nos céus de Lisboa.
A máquina fotográfica vai voltar a andar comigo no carro. Se a ocasião se repetir, não quero perder a oportunidade de registar o momento.